Sergia A.
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O corpo que se lança na proibida aventura da liberdade

 

Fui em busca de palavras do uruguaio Eduardo Galeano para compor o título. A frase fecha uma crônica, publicada em 1995, em que o autor descreve sua tristeza diante da tecnocracia do esporte profissional. Para ele, o futebol perdeu a alegria que nasce do prazer de jogar ao se transformar em um dos negócios mais lucrativos do mundo. Salvo apenas pelos poucos que se lançam na proibida aventura da liberdade. A leitura desse trecho me fez pensar e fazer conexões com o hoje, quando me chega a notícia de que uma árbitra foi agredida em uma quadra de futebol de salão dentro de uma universidade.

Não pensem que enlouqueci. Há lógica na minha conexão. Prossiga. No fim daremos as mãos.

Pois bem, em outra crônica do mesmo livro Galeano diz que “o árbitro é arbitrário por definição”. Ou seja, é a autoridade em campo. Cabe-lhe a interpretação da norma, no calor da hora, com aplausos dos justiçados e revolta dos que se consideram prejudicados. Impõe-se sua visão solitária do lance, embora hoje a tecnologia do VAR (video assistant referee) esteja prontinha para validar ou não suas decisões. No caso em questão, os vídeos amadores da torcida confirmam a seriedade do apito e dos cartões da árbitra que apenas cumpria o seu papel.

A reação agressiva de um indivíduo diante da frustração do desejo diz muito sobre a sua educação, sua situação momentânea, seus valores, seu controle emocional. No entanto, o que me leva a ocupar estas linhas com o tema são as reações de outros indivíduos diante do fato. O diretor de um clube esportivo afirma que “Mulher deveria apitar somente jogo de mulher”. Um estudante da mesma universidade escreve em uma rede social:  “Culpa dessa organização também, que colocou essa mulher para apitar jogo na UFPI”.

A resposta agressiva perde seu caráter individual e emocional. No discurso desses homens percebe-se, nitidamente, a culpabilização da vítima por estar no local em que uma mulher não deveria estar. Uma proibição velada (a mulher não deve estar entre os homens; a mulher não deve estar em uma quadra na UFPI). Talvez aí resida outro fato assustador: se esta mulher, além de estar, é a voz que lhe contradiz o lado mais escuro está autorizado a despertar respaldado por uma construção social secular.  Transforma-se, então, em mais um corpo feminino agredido, justificadamente, por se lançar além do campo delimitado pela sociedade como o lugar da mulher.

O sentimento que brota do olhar sobre a cena da agressão em uma quadra esportiva é mais profundo do que a tristeza do olhar sobre um futebol sem ousadia. Nesse é nostalgia, no outro medo de seguir. Em ambos, a liberdade de ser continua uma aventura. Em pleno século XXI ainda precisamos repetir o que dizem os cartazes das feministas em desfiles pelas ruas. Repetir bem alto. Repetir nos lares, nas igrejas e nas escolas. Repetir até que se internalize a compreensão de que “LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER”. Então, podemos dar as mãos?

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Sergia A. (sergiaalves@hotmail.com)  vive em Teresina-PI, como aprendiz de letras e espantos. Mestra em Letras/Literatura, Memória e Cultura, é autora do livro Quatro Contos, Editora Quimera (Teresina, 2018) e participou de coletâneas diversas: A mulher na literatura Latino-americana, Editora EDUFPI/Avant Garde (Teresina, 2018); Conexões Atlânticas, Infinita (Lisboa, 2018); 2ª Coletânea Poética Mulherio das Letras ABR Editora (Guarujá, 2018); Antologia do Desejo: Literatura que desejamos, Patuá (São Paulo, 2018)

2012: o ano em que o mundo não se acabou

 

Para não desacreditar, fiquei com um pé atrás. No dia marcado fiz tudo que devia. Atividade física no amanhecer. Contas pagas antes do entardecer. Últimos presentes de natal comprados. Saudei amigos distantes. Visitei parentes. Um corte no cabelo. As unhas ganharam nova cor. Presenteei-me com uma hora de silêncio arrumando gavetas. Nelas encontrei, entre guardados antigos, uma pintura em cobre que veio comigo de uma das viagens pelos Andes chilenos dez anos antes. Então, o dia esticou cada minuto de suas longas horas.

Lembro que, entre os muitos artefatos em cobre ofertados aos turistas, me senti atraída por aquele objeto de forma circular. Não o entendi, é fato. Talvez pela minha deficiência em língua espanhola, a explicação que me foi dada se perdeu. Ficou registrado que não era uma referência Inca, como pensei a princípio. Era Maia. Ficou também o fascínio da minha visão linear do tempo diante daquela concepção espiral, que levava a uma contagem cíclica. Por alguns anos ele esteve pendurado no hall de entrada do meu apartamento. Retirei-o pelo constrangimento de não saber explicar, aos mais curiosos, o que representava cada trecho do minucioso calendário. Ou talvez, porque ele ficava ali dando conta da minha ignorância sobre os avançados conhecimentos de povos bem próximos.

Embora fosse fácil dizer (e eu não estaria mentindo) que das civilizações antigas estudávamos os egípcios, os gregos, os persas, mas não coube no calendário escolar do meu tempo estudos mais profundos sobre os Incas, Maias, Astecas, ou outros povos que habitaram os solos latinos antes que latinos fossem. Calaram-se seus mitos e cosmogonia em favor dos valores religiosos e culturais dos conquistadores. Uma barreira difícil de ser rompida, salvo pelos persistentes estudiosos que decifraram todos os escritos que escaparam da devastação espanhola. Mas isso fica guardado nos livros para quem se ocupa dessa área do conhecimento. Os simples mortais ficamos à mercê das ondas.

E eis que o fim do décimo terceiro baktun despertou interesse e vestiu aquele ano de uma natural curiosidade sobre a cultura Maia. Os pesquisadores afirmam ter sido 2012 um ano importante, não apenas pela visibilidade proporcionada pela interpretação do acontecimento como profecia, mas por novas descobertas como a “sala de um escriba” em um sítio arqueológico na Guatemala, cujos números e imagens confirmam que de fato os Maias operavam com inúmeros ciclos astronômicos. Daí a sua visão cíclica do tempo.

Em um mundo em que para muitos as cenas apocalípticas são diárias, nada é mais acalentador do que a ideia de que a vida cumpre ciclos e se renova. Cá para nós, publico esse texto com a esperança de preencher o vazio que me atormenta. Espantar esse incômodo que me assalta quando encaro o avanço do obscurantismo, a negação de conhecimentos básicos como os que a astronomia/astrofísica tem nos proporcionado desde as civilizações mais antigas. Ou, a negação do valor da ciência, da pesquisa, da filosofia. Tudo para justificar a ganância que um dia, com ou sem profecia, nada valerá. Quem sabe no novo ciclo desse mundo polarizado, os homens tão ciosos de suas diferenças se deem conta de sua origem e do inevitável destino comuns.

 

Máquina do tempo

A verdadeira imagem do passado perpassa, veloz.
O passado só se deixa fixar, como imagem que relampeja
irreversivelmente, no momento em que é reconhecido.

(Walter Benjamim, tradução Sergio Paulo Rouanet)

 

Entrar em uma cidade medieval, atravessando suas muralhas e torres, é se permitir ser tragada pelo tempo. Não como se estivéssemos em um túnel cuja direção fosse o passado, mas como em um caleidoscópio que por meio dos seus efeitos visuais nos faz ir e voltar no mesmo instante. Ou, talvez, nos permita viver outro tempo com olhos de hoje.

Foi assim que em 2017 fui apresentada a Nürnberg. De cara me jogaram no Castelo Imperial Nuremberg, com seus pesados portões de madeira e degraus de pedra que datam do século XI, para em seguida ter acesso à vista panorâmica da cidade pulsante em pleno século XXI.
Depois descer ladeiras para me descobrir no século XVI diante da Albrecht Dürer Haus e da imponente estátua daquele que foi considerado o artista mais importante do Renascimento Nórdico. E a ordem era seguir sem me deixar sucumbir à tontura das imagens nos espelhos.

Segui misturando-me à alegria viva da feira, saboreando linguiça fininha e frutas vermelhas que hoje nos fazem salivar no mesmo local em que no início do século XX homens alimentados pelo ódio se reuniram para queimar livros. Segui tentando decifrar nos espelhos expostos à luz do dia, razões que levam algo sórdido a se tornar banal. E no Complexo do Congresso do Partido Nazista tudo está aberto à reflexão mais de oitenta anos depois. Seja no ar de abandono do pátio do Kongresshalle, na organização do Dokumentationszentrum, ou na aparente decadência de arquibancadas e tribuna no Zeppelinfeld. É impossível passar por ali e não repensar o nosso estar em um mundo que caminha a passos largos para a desumanização. Sem refletir sobre o que existe daquilo nos nossos gestos cotidianos quando silenciamos, ou não nos posicionamos criticamente diante dos fatos ou do que nos é dito sobre eles.

E isso ainda não seria tudo. Era preciso ir um pouco além e chegar até o Memorium Nürnberger Prozesse. Entrar na sala do julgamento de Nuremberg, ouvir atentamente o áudio, ver fotografias e documentários. Entender o ponto de vista dos vencidos que ali são tratados como a encarnação do mal. Entender o heroísmo arrogante dos que ali se declaram o bem. Ponderar a equação com seus pesos, seus excessos, suas crenças, suas necessidades, como caminho para entender a condição humana. Homens tão únicos e tão iguais, a repetirem em nossos dias os mesmos gestos. Entendê-los parece ser a nossa única chance de contrabalançar os efeitos colaterais de uma sociedade que cria autômatos capazes apenas de olhar para si mesmos, embriagados pela busca incessante de sua própria felicidade.

Eis que “no meio do caminho tinha uma pedra”. Em uma calçada, que eu era obrigada a atravessar no trajeto hotel-centro histórico, estava exposta a Herzstück. Uma obra em granito da escultora alemã Michaela Biet, que reproduz um enorme coração. Paro. Contemplo. Fotografo. Um casal de idosos também para, os dois olham para mim e dizem na língua deles algo que não consigo entender. Abro um sorriso, daqueles que não precisam de estudos linguísticos para serem decifrados. Ela acena sua mão trêmula e seguimos cada uma o seu rumo. Sento-me na calçada de um pequeno restaurante italiano em que jovens tatuados, de origens diversas, brilham em seus piercing se abastecendo para uma noite que apenas começa, enquanto ao fundo a Frauentorturm guarda registros de entrada/saída do século XIV espelhando o que eu julgava ser o último contraste.

Reescrevo este texto, dois anos depois de obter a graça de observar tais imagens relampejantes, enquanto leio nos portais e vejo na TV cenas estarrecedoras do nosso cotidiano. Sim, a história parece ser intermitente assim como o tempo. Suas glórias e horrores não ficam enterrados em uma caldeira distante. Pairam sobre nós como ameaça ou esperança. Teimo em captar nas ruas a esperança. Às vezes uma centelha brota da arte que faz pulsar na rocha, ou no palco, um coração.

 

Sergia A. (sergiaalves@hotmail.com)  vive em Teresina-PI, como aprendiz de letras e espantos. Mestra em Letras/Literatura, Memória e Cultura, é autora do livro Quatro Contos, Editora Quimera (Teresina, 2018) e participou de coletâneas diversas: A mulher na literatura Latino-americana, Editora EDUFPI/Avant Garde (Teresina, 2018); Conexões Atlânticas, Infinita (Lisboa, 2018); 2ª Coletânea Poética Mulherio das Letras ABR Editora (Guarujá, 2018); Antologia do Desejo: Literatura que desejamos, Patuá (São Paulo, 2018)

 

Azul caipira

Encontrei em Minas as cores que adorava
em criança. Ensinaram-me depois que eram feias
e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado…
Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as
para minhas telas.

(Tarsila do Amaral)

 

Quando eu era criança, em uma pequena cidade no interior do Piauí, acompanhava o movimento dos que faziam as trouxas e iam para São Paulo tentar a vida e um dia retornar. Eram muitos por isso o fluxo era constante. No mês de dezembro era divertido observá-los passar na minha rua, vindo da rodoviária, com suas malas e um toca-fitas/gravador ao pé do ouvido. Mais divertido ainda era ouvir o novo sotaque, enxertado de gírias, afinal já não eram caipiras. Isso me veio à mente durante as duas longas horas em que fiquei em uma fila, no vão livre do MASP, para ver Tarsila Popular.

A exposição faz parte de uma série que apresenta modernistas brasileiros do cânone, com referências populares nas suas obras. Ao mesmo tempo está inserida na programação do ano dedicada às Histórias das Mulheres, histórias feministas, dialogando com duas outras mostras simultâneas: Djanira e Lina Bo Bardi. Temporária, portanto, assim como a minha rápida estadia na metrópole. Diante da multidão (organizada em fila, mas uma multidão), superado o pavor inicial, foi o pensar sobre o ir e vir das pessoas, suas buscas, seus objetivos, suas tentativas de evolução, que me fez suportar a espera. Primeiro, pelo alento que é ver no Brasil de 2019 muitos jovens e crianças interessados em arte e cultura, ver professoras de escola pública levando turmas enormes a um museu que lhes oferece uma possibilidade de sonhos, de imaginação tão necessária na construção de suas vidas futuras. Segundo, porque é gratificante perceber que o acaso me fizera estar ali, naquela manhã, comparando comportamentos e repensando a minha própria trajetória de caipira pelo mundo.

Operários – Tarsila do Amaral, 1933.

Ao subir a escadaria, entendi que duas horas eram pouco e o dia apenas dava sinais de onde me levaria. Não chorei em frente a La Gioconda (Mona Lisa) no Louvre, ou do Nascimento de Vênus na Galleria degli Uffizi, ou do Monumento imperial a la mujer-niña no CCBB (Rio de Janeiro – 2014), no entanto não consegui conter as lágrimas diante de Antropofagia, Abaporu, e das enormes telas Operários e Segunda Classe. Como se, de repente, me viesse uma nova compreensão do que significou para a artista e para nós brasileiros o rompimento com a visão submissa a temas e princípios europeus. Era entender visualmente o que as letras me disseram nos livros, como se outra parte do meu cérebro precisasse ser ativada para recuperar detalhes esquecidos e acender o clarão. Um mergulho sem resistência no azul puríssimo, no rosa violáceo, no amarelo vivo, no verde cantante, como ela definia suas cores. E, naturalmente, no nosso modo de ver, entender e representar o mundo.

Impossível não voltar aos anos 1920/1930 e imaginar como tudo aquilo repercutiu nas mentes colonizadas e conservadoras da elite brasileira na qual Tarsila tinha origens. Uma filha de São Paulo (a nossa referência de riqueza e progresso) que foi alfabetizada por uma preceptora belga, iniciada nas artes por um mestre alemão e depois enviada a Paris para formação acadêmica, retornando com uma produção artística completamente identificada com o jeito brasileiro interiorano de ser? Certamente o fato balançava todas as certezas de quem aprendeu a se distanciar de sua gente para não parecer igual. Daí, talvez, o porquê de por muitos anos a crítica se valer da busca por influências europeias e formalistas no seu trabalho (o cubismo, por exemplo) em detrimento dos temas, cores, das narrativas e personagens reais ou fantásticos que trazem à tona uma brasilidade não vista como legitimadora da grande arte.

Alma alimentada, desci as escadas com um oco no estômago. Eram duas horas da tarde e o corpo dava sinais de que também precisava de alimento. O restaurante do MASP estava fechado para reformas, me disseram. Um lanche rápido no café, e segui renovada para ver Djanira: a memória de seu povo. Mas isso é história para outra coluna.  Lá fora o céu de 2019 estava azul impuro, ou matizado de gás carbônico dos escapamentos velozes. Mas o sol era amarelo vivo e escaldante como o da minha terra, não permitindo que eu esquecesse minhas origens apesar do gosto que se apurava naquele instante.

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Sergia A. (sergiaalves@hotmail.com)  vive em Teresina-PI, como aprendiz de letras e espantos. Mestra em Letras/Literatura, Memória e Cultura, é autora do livro Quatro Contos, Editora Quimera (Teresina, 2018) e participou de coletâneas diversas: A mulher na literatura Latino-americana, Editora EDUFPI/Avant Garde (Teresina, 2018); Conexões Atlânticas, Infinita (Lisboa, 2018); 2ª Coletânea Poética Mulherio das Letras ABR Editora (Guarujá, 2018); Antologia do Desejo: Literatura que desejamos, Patuá (São Paulo, 2018)

 

O coelho, a chuva e o milagre do tempo

O Dito dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre,
alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse,
alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho,
miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma.

(Guimarães Rosa, Campo Geral)

 

Desconfio sempre das receitas de felicidade, esse termo abstrato que só se concretiza em momentos únicos, às vezes imperceptíveis de tão pequenos e, portanto, não reaplicáveis. Contudo desde que a sua procura passou a ser objetivo de vida, tornou-se alvo das campanhas publicitárias que o vendem em qualquer esquina nas mais diversas embalagens. Então, eis que um dia me chega um convite para um concurso promovido por uma rede de supermercados. O desafio era apresentar uma receita de felicidade, com apenas 500 caracteres, tendo a Páscoa como tema.

Sem nenhuma pretensão com relação ao concurso mas sentindo-me desafiada, resolvi esquecer o incômodo da palavra receita ou da ideia de felicidade como objeto de consumo e descrever o pulsar das coisas miúdas. Um prazeroso exercício de paciência que o tempo de avó me permite realizar. A pressa consumista cede lugar ao sabor de pequenos gestos que ensinam sentir e respeitar o tempo do outro. Sacrifício. Aprendizado. Transformação. Algo me diz que isso tem a ver com Páscoa, ou não?

Ingredientes:

· 01 unidade de avó impaciente

· 01 neta de sete anos, delicada, curiosa e insistente

· 10 mm de chuva sem vento

· 01 livro de origami, com pacote de papel dupla face

· 01 frasco de paciência em gotas

· Ovinhos de chocolate a gosto.

Modo de preparo:

Junte avó e neta na varanda. Deixe a chuva cair até obter um clima ideal. Abra o livro nas páginas do coelho e da caixa estrela. Insistência ativada, a neta deve desafiar a avó com um sorriso irresistível. Iniciar as dobraduras, intercalando gotas de paciência até o ponto de consistência. Acrescente aos erros boas risadas. Misture os acertos com beijos e abraços apertados. Recheie as caixas com os ovinhos e reserve até o domingo de Páscoa. Repita o procedimento se achar que valeu a pena sentir no miudinho a alegria nas profundas.

 

 

Sergia A. (sergiaalves@hotmail.com)  vive em Teresina-PI, como aprendiz de letras e espantos. Mestra em Letras/Literatura, Memória e Cultura, é autora do livro Quatro Contos, Editora Quimera (Teresina, 2018) e participou de coletâneas diversas: A mulher na literatura Latino-americana, Editora EDUFPI/Avant Garde (Teresina, 2018); Conexões Atlânticas, Infinita (Lisboa, 2018); 2ª Coletânea Poética Mulherio das Letras ABR Editora (Guarujá, 2018); Antologia do Desejo: Literatura que desejamos, Patuá (São Paulo, 2018)