Estamos à mercê de nós mesmos. Óbvio, não é mesmo? Seria de estranhar se esse não fosse o caso. Um prisioneiro sem muralhas ou grades, é um escravo. Um escravo que não careça ser torturado para sê-lo, é um títere. E o que é um títere? Marionete, boneco de pano movido por cordéis. E esses cordéis, por acaso seriam o dinheiro, a propaganda, ou mais precisamente o marketing? Depois de Pavlov, marketing e auto-ajuda “formatam” a mentalidade dos seres humanos.
Penso se o que vivemos na sociedade moderna não faz de nós prisioneiros sem grades. A rotina traz segurança, mas infere recompensa posterior. Ninguém vai se permitir às rotinas cotidianas caso não haja compensações. Até concordo que escolhemos caminhos. Mas as disciplinas e exigências inerente ao caminho escolhido, acabam por serem excessivas. O custo do bem adquirido ou do erro cometido é demasiadamente caro. Tudo vira rotina massacrante que nos submetemos a pulso e mesmo sem acreditar mais em resultados.
O que é um títere (gostei da expressão) na prática social? Alguém cuja vontade não é levada em consideração. Pergunto se a nossa vontade tem sido observada e devidamente considerada. Somos nós que determinamos o que fazemos ou estamos à mercê de decisões alheias? Elegemos nossos representantes, mas é possível que eles realmente nos representem e cumpram com o que prometeram? Tudo depende das conjunturas e da correlação de forças, não é mesmo?
Os funcionários de 1º, 2° e 3º escalões e em cargos de confiança (essa excrescência da gestão pública brasileira) estão apreensivos em todo país. O grupo político que esta no poder e a oposição digladiam: parece o samba do “criolo doido”. Corruptos fingem que atacam a corrupção para que suas falcatruas sejam “esquecidas” e possam produzir mais corrupção ainda. Ninguém quer tirar a Presidenta por motivos reais. É que se ela prosseguir no governo, temem que a Operação “Lava Jato” os leve para a prisão, como alguns poucos que foram. Ou querem que o balcão de “negócios” seja reaberto para que negociações escusas possam se efetuadas. Há muitas pressões, ameaças, exaltações, conchavos, verdadeiras guerras de foice no escuro por cargos e oportunidades. Eles equivalem a mais de 2 anos de chances de riqueza e mordomias plenas e, quem sabe, uma recondução em 2018.
E o tempo, os horários a nos prenderem em suas malhas de aço? Dormimos mais tarde que precisamos e somos obrigados a acordar mais cedo que queremos. Ingerimos alimentos rapidamente para “aproveitar o tempo”. Vivemos mortos de sono. Embora, paradoxalmente, sofrendo de insônia. O tempo é relativo a muita coisa, mas principalmente ao modo de vida e cultura de cada pessoa, de cada sociedade e também de cada espécie.
Os zoólogos afirmam que diferentes espécies de animais percebem a passagem do tempo de maneiras diferentes. Até onde sei, os programas televisivos passam cerca de sete quadros por minuto. Parece que essa velocidade é perfeita para o entendimento humano. Mas veja: para um desses pássaros caçadores de insetos, como o sabiá, deve parecer totalmente desarticulado. Seu sistema nervoso funciona de modo a acompanhar vôos muito mais rápidos dos insetos que caça para viver.
Acho que o problema deve estar no fato de que ordenamos as coisas que percebemos no mundo do modo como sabemos. E, com certeza, deve haver muitos outros muitos modos alternativos. Aprendi vivenciando que deixamos de ter chances de encontrar unicamente quando deixamos de procurar. Por enquanto vamos seguindo, acendendo lampiões para não morrermos no escuro.
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Luiz Mendes
13/04/2016.






Assim, o ciumento só para quando sente o acre e quente gosto de sangue na boca; ou, então, ao perceber que a vítima, mesmo sobrevivendo, dificilmente escapará do infortúnio psicológico, a mais terrível de todas as mortes. A literatura, aliás, tem sido pródiga em explorar esse tema de forma abundante e reflexiva, tanto em textos de autores estrangeiros como nacionais.
Honório, que a tinha como esposa adúltera e fingida, ela acaba tirando a própria vida em busca de paz e sossego inexistentes na relação com o agreste fazendeiro. A mania do marido em considerar todos como objetos de sua propriedade – dos escravos até a mulher -, é que pôs tudo a perder. Coitada da Madalena, sem culpa nenhuma no cartório, tendo que aguentar as suspeitas de Paulo Honório. Logo ela, cuja única preocupação era educar e dar um tratamento humano aos que trabalhavam na fazenda. Somente depois da burrada feita, agora tentando juntar os cacos da vida através da linguagem, ele reconhece o ser bruto que é: “Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível recomeçarmos… Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige.” Aqui, nessa verdadeira obra-prima, presenciamos um Graciliano Ramos melhor do que nunca, tecendo uma história instigante a respeito, dentre outros assuntos, do absurdo amor esquizofrênico.
Tel Aviv e por quem tinha a maior admiração. “Se não entender o que dizem, se for outra língua, tente ver se Marie fala Sandorsky.” Obriguei-a a repetir “Sandorsky” várias vezes, e ela me garantiu que jamais ouvira “nada disso” naquela casa. “Você sabe escrever”, perguntei. Dei-lhe um papel, caneta, “escreva aí ‘Sandorsky’. Ela não se saiu tão mal, uma letra esculhambada como a de qualquer semianalfabeto. Tínhamos agora um trato.”
maravilhosamente bem e ir ao teatro, feliz da vida e como se nada tivesse acontecido. Por isso, devemos torcer para que a patológica bomba do ciúme não se aproxime da gente e, caso isto ocorra, que essa pessoa fique léguas de distância de nosso convívio. Nunca esquecer das sábias palavras de Salomão: “o amor é forte como a morte. O ciúme é cruel como o túmulo”.