Wellington Soares
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Corno dos grandes

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– Pois não!

– Boletim de ocorrência.

– Que que tem?

– Quero registrar.

– Contra quem?

– Minha mulher.

– Que fez ela?

– Até constrangedor falar, delegado.

– Tentou castrá-lo?

– Não.

– Matou os filhos de vocês?

– Não temos, felizmente.

– Roubou seu dinheiro?

– Não.

– Desembucha, meu camarada.

– Vive me traindo.

– Como assim?

– Sou corno dos grandes.

– Não é a primeira vez, então?

– Ai se fosse!

– Quem falou?

– Em mesmo vi.

– Onde?

– Até dentro de casa.

– Tá brincando comigo!

– Longe de mim, delegado.

– Não acredito.

– Dentro do mato…

– Quê?

– Debaixo de poste, inclusive.

– Como ela é?

– Morena e bonita.

– Idade dela?

– Uns 23 anos.

– E o senhor?

– 50.

– Quanto tempo juntos?

– Fez nem mês ainda, coisa de dias.

– Tão cedo assim?

– Pro senhor ver.

– Não é melhor partir pra outra?

– Já pensei nisso.

– Reconstruir sua vida.

– Eu amo ela, seu delegado.

– Já conversaram?

– Sim, não adiantou.

– No que posso ajudar, então?

– Prender a vadia.

– Adultério não é crime, meu senhor.

– Uns dias, pelo menos.

– Como ficariam as outras da cidade que aprontam?

– No xilindró também, lugar de vagabunda.

– Tenha respeito.

– Tô cansado, seu delegado.

– De quê?

– O senhor ainda pergunta.

– Esse é o meu papel.

– De tomar chifre.

– A escolha foi sua.

– Mas todo santo dia?

– Largue essa mulher, homem de Deus.

– Agora vivo com dor de cabeça.

– Só lhe peço uma coisa.

– Quê?

– Não vá fazer nenhuma besteira.

– Já fiz, seu delegado.

– Oh my god!

– Sequei os pneus da bicicleta pra ela não ir encontrar seus amantes.

– Menos mal!

Cabrobó: o lugar, uma lógica e vários sentidos

texto de José Elielton de Sousa

(Filosofia/UFPI)

 

Há muitas narrativas sobre como nós, os piauienses, nos tornamos o que somos. Uma delas remete a um povo primitivo e selvagem que foi “descoberto” pelos europeus “civilizados”, graças aos quais passamos a fazer parte da história e da cultura humana – leia-se, do colonizador! E mais interessante do que isso é o fato de que a primeira “instituição” formal dessa “cultura civilizada” a ser instalada em nosso território foi uma fazenda de gado. Isso mesmo que você leu! Não foi um quartel, uma igreja ou uma escola, mas uma fazenda de gado – a Fazendo Cabrobó, que deu origem ao núcleo populacional da Vila da Mocha, primeira capital do Piauí, hoje cidade de Oeiras.

A fazenda – o lugar, os objetos e riquezas, o poder – é uma concessão pública para fins privados, governada por um donatário vitalício, que a conduz “com rédeas curtas”, numa relação de assenhoramento através da força, que de tão brutal, muitas vezes a diferença entre pessoas e animais desaparece. É quando o chicote domestica o animal humano, o cabresto e as rédeas do seu senhor o disciplinam e a morte matada está sempre próxima. E isso obviamente não mudará na casa-grande e muito menos no armazém.

E é justamente com base nessa lógica da criação de bovinos que, em grande medida, se organiza e se consolida as instituições sociais piauienses, suas relações de poder e até mesmo nossa cidadania. Essa colonização explícita dos corpos, seu disciplinamento, torna-os meros animais de rebanho mansos e servis, presas fáceis para aqueles que sempre nos expropriaram e violentaram. Acostumados a empunhar o chicote, o coronelado transforma privilégio em direito, resistência em crime e dignidade em mordomia. Daí nosso provincianismo, nosso saudosismo de uma época que nunca nos pertenceu, nossa cidadania quase sempre passiva e acanhada, muitas vezes complacente com essa lógica de rebanho.

Mas nem todas as possibilidades estão esgotadas nessa narrativa. É preciso aprofundá-la para superá-la, para vislumbrar outras redescrições. Uma fazenda não se reduz ao seu dono, por exemplo. Muito pelo contrário, ele é o menos necessário dos seus elementos constituintes. Sua materialidade é propriamente o gado, a rês, expressão bruta de força, beleza e resistência. Bicho brabo, traz no corpo sua potencialidade, instinto que não se deixa domesticar e mesmo quando abatido, cai berrando. Quando não, se encanta, vira lenda, festividade, folclore e subverte a ordem das coisas – nem todo gado, apesar de certa tendência gregária, pode ser domesticado.

E quando o animal se torna um com o humano, numa metamorfose em que o último se veste com o primeiro, a materialidade ganha sentido. O vaqueiro sob ordens do patrão é algoz e manada, mas livre da coerção, é quem sabe lidar com o animal, chamá-lo pelo nome. Ele também sabe do tempo da natureza e seus ciclos, das fontes e dos pastos, das veredas e armadilhas, da vida e da morte – ele é uno com o lugar e o animal: a eles pertence e deles “descende”. Quando ciente disso, torna-se aquilo que é: cuidador de rebanhos.

É, parece que a fazenda diz muito sobre nós! Mas para aceitar essa provocação, entretanto, faz-se necessário aquilo que Nietzsche chamou de qualidades bovinas: a arte de ruminar.

 

Por um triz

Por um triz - CapaEm que ano ocorreu, não sei precisar exatamente. A memória, corroída pelo tempo, já não consegue montar, com a mesma facilidade de outrora, as peças do quebra-cabeça de fatos marcantes da minha vida. Lembro apenas que era um domingo esplendoroso e devia ter, estourando, uns 12 anos de muita traquinagem. Seo Tomé, deitado na rede, foi taxativo: “Sem um de seus irmãos mais velhos, você não irá sozinho banhar no Parnaíba”.  E quando meu pai falava uma coisa, não havia ninguém neste mundo capaz de demovê-lo da ideia, nem mesmo os olhos chorosos de um filho. Como o proibido sempre desperta interesse nas pessoas, notadamente em adolescentes, nunca o “Velho monge” havia me atraído tanto como naquela manhã ensolarada, um desejo incontrolável de deitar em suas águas ainda limpas na época.

Atocaiado, como quem não quer nada, esperei o instante em que meu pai voltou a cochilar para fugir de mansinho, nas pontas dos pés – “Sem fazer barulho, é claro, / que barulho nada resolve” -, e ir banhar no Parnaíba, sem avisar nadinha de nada a ninguém lá de casa. Da Clodoaldo Freitas até o rio era um pulo apenas, uns dois ou três quarteirões abaixo. Como as coroas estavam do outro lado, em Timon, atravessei a ponte metálica e fui mergulhar próximo a um grupo isolado de pescadores, sem imaginar que o Parnaíba guarda armadilhas perigosas e, às vezes, fatais.  Tudo ia muito bem, obrigado, quando, de repente, senti faltar areia sob os pés, caindo num buraco fundo e sendo arrastado pela correnteza das águas. Sem saber nadar, e tendo engolido bastante água, pressenti que a “indesejada das gentes”, como diria Bandeira, me abraçava com volúpia e sofreguidão.

Por muito pouco, felizmente, o dia não se fez escuridão em minha parca existência. Meu anjo da guarda, transfigurado em pescador, chegou bem na hora e, sussurrando no meu ouvido para eu ter calma, me puxou pelo braço. Em casa, refeito do susto, fiz a promessa de nunca mais desobedecer ao meu “velho”, compromisso que procurei honrar, na medida do possível, até a sua morte. Só escapei do afogamento, hoje tenho certeza, porque manifestei – naquele momento de total abandono e desespero – uma enorme vontade de sobreviver. Do contrário, teria partido ainda muito novo, sem ter participado desta carnavalização embriagadora que a vida se tornou. Alguns desses momentos, inclusive, vividos lá mesmo, de forma intensa e apaixonante, com pescarias no cais do rio e peladas nos finais de semana. Sem contar ainda, é claro, os festivais de música e os lançamentos literários em suas coroas.

Quem quiser que faça apologia da morte. Dela, espero tão somente que mantenha distância razoável de mim. E, sendo possível, um prolongado esquecimento. De minha parte, confesso que não morro de amores por ela, tampouco a menor atração, exceto um sentimento de total menosprezo. Eu celebro e louvo todos os dias, acredite ou não, é a grande dádiva da vida, com os eternos conflitos que a caracterizam. Como nordestino, trago em mim uma instintiva vontade de viver, mesmo que tenha de enfrentar os maiores obstáculos. Além do mais, quem recebe a visita da dita cuja, a temida dama da foice, apega-se à vida com paixão redobrada. Daí essa mania em doar-me, de corpo e alma, em tudo que faço: magistério, feiras literárias, saraus poéticos, escrita de livros, lutas políticas e produção da Revestrés.

Por que quero ser amiga do meu (ex) orientador

A primeira vez que eu vi Paulo Fernando foi incrível.

Mentira. Eu não me lembro da primeira vez que o vi. Lembro de ser um rosto familiar, sempre por ali, no circuito, amigo dos meus amigos mas que, no entanto, não era meu amigo.

Pode não ter sido a primeira, mas foi a mais marcante, talvez, a vez em que ficamos cara a cara na minha entrevista de seleção do mestrado. Ele me olhava rindo e surpreso: “Como assim você não gosta de ler e quer vir pro nosso programa?”, me perguntava num misto de desprezo e compaixão. Eu nunca pude me explicar sobre isso, mas coloco agora que, acima de qualquer imagem durona que tentou me passar, sua provocação era mais atraente que assustadora.

A segunda aula do segundo dia no mestrado era dele. Teorias da Comunicação, quatro horas daquele homem que espalmava a mão uma na outra como quem quer estalar o nosso pensamento e repetia “percebe?” o tempo todo. Eu não entendia nada do que ele falava, exceto quando refletia sobre a vida, e tocava em pontos tão caros à minha pobre existência humana. Em dois anos foram dezenas de moleskines que hoje guardo com afeto e aos quais recorro para lembrar aquela frase, dita naquele dia, quando citava aquele filme ou ensaiava cantar um trecho daquela canção. Jamais foi chato, nem por um minuto, ir para uma aula do professor Paulo Fernando – pelo contrário, era dormir por cima dos textos na véspera, lendo pela milésima vez, pela necessidade de participar, minimamente, das discussões daquele cara. Eu precisava entender o que ele dizia.

Também fui parar no grupo de pesquisa que ele comanda – Jornalismo e Discurso, o JORDIS – e me encantava ainda mais o modo prazeroso e empolgado com o qual falava das pesquisas ali desenvolvidas. Era impressionante a capacidade dele de aproveitar qualquer resquício das asneiras que a gente falava, só pra fazer a gente se sentir útil naquele debate (hoje eu percebo). Era atencioso e humilde, fazia provocações e perguntava o tempo todo dizendo: “pode falar o que você tá pensando, preciso entender o que se passa na tua cabeça pra te ajudar”.  Nessas noites de sexta, depois de uma semana cansada, a gente se esforçava pra acertar os conceitos valendo um quilo de picanha – ele prometia e pagava. Talvez foi a essa altura que eu pensei em querer ser, minimamente, um dia, pelo menos um tiquinho do que ele era.

Um dos primeiros e-mails que a gente trocou, foi ao final daquela disciplina de Teoria, quando a turma toda levou bomba nos artigos – eu, no auge da minha arrogância, escrevi essa mensagem surpresa com a minha nota, um 7,3. “Você devia estar dando pulos de alegria que a sua nota foi uma das maiores”, ele respondeu. O sete era o novo dez, e meu professor me ensinava ali a ver o mundo por outra perspectiva.

É preciso lembrar da sua fama e o quanto ela nunca me afetou. “Orientanda do PF? Boa sorte”, diziam alguns. “Ele me reprovou”, “ele é muito cri cri”, ele isso, ele aquilo. Todo mundo tinha uma história impactante pra contar sobre meu orientador. “A verdade é que é mais fácil pras pessoas culparem os outros do que assumirem suas mediocridades”, ele me disse certa vez e eu anotei como muitas das frases e reflexões. Ele nem sabia, mas às vezes eu registrava até um papo informal – que eram raros, não pense você que ele é assim propriamente fácil. Foi muito difícil quebrar esse distanciamento imposto, professor e aluno. Foram meses pra ele me dar moral no whatsapp – e vez ou outra eu ainda levo umas patadas. Foram quase três anos, muito chororô e madrugadas de aflição conjunta até chegar aqui.

Eu sonhava com esse dia em que, após defender a dissertação, a gente seria amigos. Eu queria, a toda força, arrumar um espaço na vida e no coração da pessoa que existia atrás do professor turrão. Exigente? Sim. Duro na bronca? Com certeza. Mas Paulo Fernando é talvez uma das pessoas mais doces e prestativas que eu conheço – maior que sua inteligência, só seu coração, eu disse certa vez enquanto falava para uma plateia de alunos que estava ali para vê-lo, mas ele, generoso como sempre, dividiu o momento com a gente, seus meros orientandos.

Paulo Fernando me cobrou até o último minuto – até a véspera da defesa, enquanto eu tentava abstrair o peso daquilo tudo e ele dizia: “Tem uma pessoa cruzando o país pra comentar o seu trabalho”. As pernas tremiam, eu estava em pânico. Ele batia e assoprava, como um pai que consola pela queda mas não deixa de falar: “eu avisei”.  “Agora vá dormir que você já fez o suficiente”, me ligou para dizer.

Meu professor me ensinou que a insegurança é fundamental pra gente se preparar bem – mas que, em excesso, pode te prejudicar, e que é preciso equilíbrio o tempo todo entre autoconfiança e dedicação. Me ensinou que a gente só aprende na dor – mas que nem tudo precisa ser tão Maria do Bairro assim. Me deu a chave da sua sala pra que eu pudesse escrever quando fiquei desabrigada (o meu processo de desterritorialização foi vivido na prática), abriu as portas e os ouvidos pra me ouvir e corria pra pegar lenços quando eu usava o espaço da orientação para chorar. A gente falava da vida, do sentido, da linguagem, do peso da palavra, dos sentimentos humanos e às vezes, até, dos rumos da pesquisa.

Com Paulo Fernando aprendi que o que acaba são os prazos. Não as pesquisas, nem os planos, nem os sonhos. Talvez ele nem saiba, mas eu aprendia mais com o que ele é do que com o que me dizia. Sempre um filme para me indicar, sempre um livro para oferecer, a piada pronta pra fazer. Desde o dia que o vi dando seu espetáculo na sala de aula, eu jamais consegui ser a mesma. Que homão da porra, que showman, meu deus deixa esse professor me reprovar mas por favor, faça com que sejamos amigos um dia – eu rezava.

O mestrado acabou, as orientações passaram e ficou um buraco, uma saudade. Foram dois anos dele pegando na minha mão e me ajudando a enxergar, e isso explica porque ainda é pra ele que eu corro quando alguma coisa aperta. Na semana passada eu fui ousada e enviei: “Posso passar na sua sala pra bater um papo?”. “Venha”, respondeu prontamente. “Tô ocupado, mas pra você sempre tenho um tempinho”.

Prisioneiras

Ler Drauzio Varella é sempre um prazer. Além, é claro, de um grande aprendizado. Tanto em termos de vida, no tocante à complexidade humana, quanto da escrita envolvente, das que nos prendem da primeira à última página. Foi o que experimentei outra vez, no final de semana, ao concluir a leitura de Prisioneiras, livro que encerra sua trilogia do cárcere. O primeiro surgiu em 1999, Estação Carandiru, que desnuda as entranhas daquele tido como o maior presídio da América Latina, palco de um massacre de 111 detentos que envergonha o país até hoje. Depois, em 2012, veio Carcereiros, sobre os dilemas que atormentam funcionários do sistema prisional brasileiro, adaptado recentemente para série pela Globo. Quase 30 anos depois de ter iniciado esse trabalho nos presídios da capital paulista, na função de médico voluntário, ele retorna mostrando as detentas e seus dramas na Penitenciária Feminina, hoje com lotação pra mais de 2 mil mulheres.

Entre vários aspectos, Drauzio destaca a solidão em que vivem essas presas, esquecidas por seus maridos e namorados, que as trocam por outras, e pelos próprios pais e filhos, que as consideram a vergonha da família – “De todos os tormentos do cárcere, o abandono é o que mais aflige as detentas”. Diz que nunca viu ou soube, inclusive, de alguém que tivesse virado a noite em vigília à espera do horário de visita. E olha que são 11 anos de atendimento semanal. Fosse o contrário, no caso dos homens, o bicho pegava: “Quando são eles os presos, pobre da mulher que os abandone. Correm risco de morte se começam a namorar outro.” O mais absurdo de tudo é que a maioria cumpre pena por causa de seus homens, traficantes e viciados que as levam para o mundo das drogas, iludidas pela ideia de amor eterno e total cumplicidade com os destinos do amante.

Prisioneiras - Capa

 

Quanto ao sexo, segundo ele, as mulheres são bem mais liberais que os homens e até mesmo, acredite, que a sociedade fora dos presídios. Como exemplo, aponta a questão da homossexualidade, geralmente encarada de forma preconceituosa por todos, mas vista por elas sem tabu nem discriminação – “Posturas moralistas são malvistas num ambiente em que a prática homossexual é livre e aceita com naturalidade, desde que não haja beijos na boca nem carícias nas galerias.” Em nenhum outro lugar, ressalta Drauzio, a sexualidade feminina pode ser exercida livremente como na cadeia, liberta da repressão social, daí a multiplicidade de opções no gênero sapatão: originais, folós, sacolas, chinelinhos, pães com ovos e badaroscas, badarosquinhas, entendidas ativas, passivas ou relativas e, não poderia faltar, as mulheríssimas.

Uma história em particular, das inúmeras relatas no livro, chamou bastante minha atenção – a da Tia Maluca, relatada na página 220. Por um único e simples motivo: matadora profissional nascida no sertão do Piauí. Empurrada para São Paulo, a fim de escapar da miséria, ela perde o filho de seis anos (meningite) e tem o marido assassinado por bandidos – “Quem fez isso vai pagar”. Ao perceber que da polícia não poderia esperar nada, resolveu comprar um 38 e sair à cata dos dois criminosos. Quem poderia imaginar, indaga zombeteira, que uma mulher de olhos azuis com ar de evangélica era a morte? Antes de executar o primeiro, disse que ficou trêmula e dominada pelo medo e pela ansiedade. Em relação ao segundo, morto 15 dias depois, expressou que sentiu uma adrenalina forte, a verdadeira dona do mundo. Não tardou muito para receber, do gerente do ponto de drogas, uma encomenda de morte: dar fim, por 5 mil reais, de um concorrente que invadira os domínios do patrão: “ O primeiro tiro eu dava na cabeça, só pra ver o corpo despencar e provocar aquela sensação que me deixava poderosa. Depois vinha uma tranquilidade que durava dias.”