Wellington Soares

Coisas e outras

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Contos esparsos

(I)

Besteira das grandes ter confessado meus pecados ao padre. Onde estava com a cabeça pra tamanho desatino. Se arrependimento matasse, teria partido há muito tempo. Na realidade, um pecado apenas, traquinagem de adolescente. Coisa à toa, própria da idade: bater punheta inspirado nas meninas da escola. Sem falar da vizinha, toda gostosa, alívio das noites insones. Ingênuo, esperava algumas ave-marias e pai-nossos. Mas a punição, além das rezas, veio recheada de terrorismo psicológico. Aspecto pior de todos. Que iria direto pro inferno, não parasse tal safadeza. Que podia ficar louco, daqueles de atirar pedra na lua, caso insistisse nessa prática obscena. Pior ainda, ficar sem as mãos, dois toquinhos, teimasse em seguir caminho tão diabólico. Graças à medicina, que hoje diz fazer bem à saúde, retomo feliz o diálogo com meus cinco velhos e saudosos amigos de outrora – os dedos.

(II)

Mal iniciava a partida de futebol, no estádio Lindolfo Monteiro, saíamos em disparada nas bicicletas dos torcedores. Vigiar que é bom, nadinha de nada, apenas o prazer de curtir tamanha felicidade. Fora a sensação de liberdade, de braços soltos e camisa aberta, pelas ruas bem traçadas de Teresina.  Nossos corações aos pulos, quase saltando pela boca, uma trupe de meninos ávidos por aventuras em paralelepípedos indiferentes a quedas e risadas gostosas. Pedaladas que nos levavam ao imponderável, ligando praças a avenidas, até culminar no aeroporto da cidade, o Senador Petrônio Portella, onde víamos às vezes, boquiabertos, pássaros enormes, com toneladas de peso, descer e pegar voo na maior leveza do ser. Ao final do jogo, estávamos no posto de trabalho, como se não tivéssemos saídos dali, pra entregar as bicicletas e receber as gorjetas merecidas. Com bolos, refrescos e picolés celebrávamos nossa peraltice e a vida. O diacho era quando um torcedor saía antes do término da partida.

(III)

Foi o velho cochilar pra eu pegar a ponte metálica, sozinho, e ir banhar do lado de Timon. Domingo de sol escaldante e céu azulado, convite irrecusável a desfrutar das frescas águas do rio Parnaíba. Conhecido também como Velho Monge, nome atribuído por Da Costa e Silva, nosso poeta maior. Na época, lá pelos anos de 1970, ainda limpo de dar gosto, dando pra beber na mão. Pula daqui, pula dali, brisa gostosa acariciando a manhã, senti um buraco, repentinamente, arrastando-me pra sua profundeza, desespero apagando de vez minha felicidade. Não fosse um pescador, que exercia seu ofício próximo, teria partido muito cedo, sem gozar dos prazeres da vida. Já em casa, ao encontrar Seu Tomé, dei-lhe um forte abraço, chorando em silêncio. Disse que era, quando indagou, por ter perdido o papagaio que empinava na disputa com os meninos do quarteirão. Jamais ele soube do ocorrido, mas comigo, agradecendo e prometendo a Deus, jurei dali pra frente nunca mais desobedecer meu pai.

(IV)

Pior que a goleada de 7 a 1, difícil de engolir até hoje, foi a justificativa dada pra tamanha humilhação. Preferível o silêncio, mil vezes. Ainda mais jogando dentro de casa, em pleno Mineirão, com a torcida apoiando o escrete brasileiro. Integral e incondicionalmente. Apagão uma ova, que ninguém é trouxa pra engolir resposta tão absurda. Na realidade, desdobro dos grandes, eufemismo pra encobrir o desempenho vergonhoso dos nossos jogadores em campo. Quem sabe,  descompromisso total, dado os cachês milionários recebidos, com a própria terra natal, “Ó pátria amada/ Idolatrada/ Salve! Salve!”. Ou, talvez, falta de profissionalismo mesmo, sobretudo, do técnico Felipão, com essa lorota pra boi dormir, de apagão, um branco inexplicável que teria desnorteado o time. Não 1, 2, 3, 4 gols certeiros, mas 7 ao todo, setas cravadas eternamente no orgulho da nação de chuteiras. Não tendo sido maior o placar, sabe lá Deus, por benevolência dos alemães. Amém!

Leitura é fundamental

 

Pelo seu olhar, percebi que a mãe não estava bem. E ao falar, de forma nervosa, tive a confirmação. Parecia confusa, tentando entender as coisas. Na realidade, a nota baixa do filho na redação do Enem. Como explicar desempenho tão fraco, menos de 400 pontos? Culpa dos pais não era, segundo ela, pois garantiam escola e material didático. Às vezes, até aulas particulares nas matérias “difíceis”. Sem falar de dinheiro pro lanche e carro pra levar e pegar. Em suma, o pimpolho tinha tudo do bom e melhor. E com tal pontuação, pelo visto, ele estaria fora da universidade. Um ano de atraso, disse tristonha. Puxando-me de lado, iniciou uma conversa bastante animadora.

– Tem jeito?
– Sim.
– Por onde começo?
– Botando o garoto pra ler.
– Ele detesta livro.
– Mas ninguém nasce gostando.
– Puxou ao pai.
– E a senhora?
– Nem lembro a última vez que peguei num livro.
– O exemplo não tem de começar em casa?
– Sim, mas falta tempo.
– Ou interesse?
– Também.
– A escola não cobra leitura?
– Foi o tempo, hoje mais não.
– Por quê?
– Dizem não ser cobrado no vestibular.
– Acabaram a lista de livros?
– Sim, faz anos.
– Uma pena!

Aqui reside, provavelmente, a grande lacuna da educação nacional: a ausência de hábito de leitura entre os nossos jovens. Pais e escola omissos em ferramenta tão importante para o aprendizado, incluindo a prática da escrita. Daí o lamentável resultado do último Enem quando, no total de 4,1 milhões de redações, somente 55 alunos obtiveram a nota máxima de mil pontos. Pior ainda, outros 112.559 candidatos tiveram a dissertação zerada. Motivos? Fuga ao tema, copiar o texto motivador e, pasme, entregar a folha em branco, sem rabiscar uma linha sequer. Inconformada, a mãe voltou a indagar.

– Ler o quê?
– Tudo, inclusive bula de remédio.
– Sério?
– Sim, além de pichação e frases de banheiro.
– Tá brincando!
– Sem falar de jornal, revista e quadrinhos.
– E livro?
– Principalmente, de todos os gêneros.
– Como assim?
– Romance, conto, crônica e peça teatral.
– Ainda bem que poesia não entrou.
– Por ser a mãe de todos, deixei por último.
– Mas nem adulto entende, imagine um adolescente.
– Talvez no começo, depois toma gosto.
– Ele diz que odeia o Machado, linguagem complicada.
– Nada disso, exemplo de vida e de boa escrita.
– Pode ser um autor moderno?
– Claro, sem problema?
– Alguma sugestão?
– Ignácio Loyola de Brandão, Clarice Lispector e Salgado Maranhão.

Além desse grave problema, da rapaziada sem ler, temos ainda livrarias e editoras fechando no Brasil. Parece até que desaprendemos a sábia lição nos deixada por Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”. Mas o que esperar de uma nação que preferiu, na eleição de outubro passado, votar na liberação de armas a semear livros à mão cheia, levando o povo a pensar, como queria o poeta baiano Castro Alves? Enquanto expunha minhas preocupações, a mãe do jovem encerrava nossa conversa, assumindo parcela da culpa, de humilde maneira.

– Que mais, professor?
– Produzir uma redação por semana.
– Sobre o quê?
– Temas da atualidade.
– Quantas linhas?
– 30, no máximo.
– Ele quer fazer um curso de redação.
– Ótimo!
– Mais despesa pra gente.
– Veja como investimento no futuro do garoto.
– Alguma outra coisa?
– Escrever um diário.
– Qual o objetivo?
– Exercitar a escrita, não importando a quantidade de linhas.
– Entendi.
– Faça ditado pra ele.
– Ditado?
– Sim, recurso útil pra aprender ortografia.
– Terminou?
– Peça pra ele ler em voz alta.
– O quê?
– As palavras têm vida e sonoridade.
– Posso ir?
– Antes me prometa uma coisa.
– Diga.
– Voltem a ler também.
– Quem?
– Você e o seu esposo.
– Nessa altura do campeonato?
– Ler não importa idade nem tem contraindicações.
– Verdade.
– Não esqueça ainda…
– Estou ouvindo.
– Os filhos se espelham nos pais.
– Grata!
– Sempre à disposição.

Pior das escuridões

 

Naquele dia, a correria era grande. Algumas contas a pagar no banco e voltar logo à escola. Tinha apenas 30 minutos, o tempo do intervalo, para resolver tudo e pegar no batente novamente. Vida de professor é, como sabemos, assim mesmo. Uma dureza só. Mal dar pra respirar, que dirá bater pernas por aí. Quem mandou escolher tal profissão? O que não pode acontecer, nem que a vaca tussa, é deixar o alunado sem aula. Tudo estava dentro dos conformes, até a senhora do lado me cutucar e falar.

– Seu moço, o senhor pode preencher o formulário de depósito pra mim?

– Agora não, pois estou muito apressado. Talvez noutro momento.

– Só me serve hoje, infelizmente.

– Mas por que a senhora mesma não preenche?

– Porque sou cega, moço.

Percebendo o meu embaraço, até porque ela enxergava perfeitamente, o esclarecimento não tardou, de forma constrangedora e didática.

– Quem não sabe ler e escrever é cego.

O piso do banco, depois de tais palavras, começou a ceder aos meus pés lentamente, deixando-me imobilizado. Nunca algo, em quase 40 anos de magistério, havia sido dito com tanta pungência. Sentindo-me também responsável por esse absurdo, como educador e cidadão, não tive coragem de encará-la. Caso tivesse tentado, não seria possível, uma vez que a senhora desviara os olhos para baixo do balcão, humilhada. O retorno à sala de aula, após ouvir lição tão pedagógica, não foi nada fácil. Ao contrário, doloroso e sofrido, com sua fala martelando a cabeça.

– Quem não sabe ler e escrever é cego.

Como não havíamos resolvido em pleno século 21, indagava aos meus botões, esse grave problema que envergonha milhões de brasileiros, no Nordeste especialmente. Embora tenhamos avançado um pouco nos últimos anos, quanto à redução de analfabetos, os índices ainda permanecem bastante elevados: 7,2% (Brasil) e 17,2% (Piauí). Se temos método eficiente testado dentro e fora do país, como o de Paulo Freire, o que está faltando para erradicarmos de vez essa terrível praga?

– Quem não sabe ler e escrever é cego.

A gente só faz ideia do sofrimento dessas pessoas quando nos deparamos com uma delas passando tamanho vexame, a exemplo da senhora no banco. Ou, então, presenciando o drama que elas vivem nas paradas, tentando adivinhar o ônibus que devem pegar. Mas pior de tudo, acredite, é vê-las melarem o dedo na almofada e apertarem sobre o nome como assinatura. Essa imagem, aliás, nos dar uma ideia do país que realmente somos: atrasado, egoísta e profundamente desumano. A maior de todas as escuridões, digo sempre em sala, é a ignorância. Por isso, estudar faz bem, melhora a autoestima e não tem contraindicações. Não está mais do que na hora de nos juntarmos todos – governo, oposição e sociedade civil – a fim de encararmos esse justo combate? Inaceitável, penso eu, é continuar ouvindo, sem conseguir dormir tranquilo, a fala penosa daquela senhora.

– Quem não sabe ler e escrever é cego.

Contos avulsos

(I)

Agora é esperar, depois do que fiz, a polícia chegar. Eu mesma liguei, com voz calma e serena. Nem parecia que tinha cometido crime tão bárbaro. Disse apenas: venham rápido, uma tragédia ocorreu em casa. Dei o endereço e desliguei o telefone. Enquanto isto, sentei na cadeira de balanço e refleti sobre o que acabara de fazer. Que tivesse amante, fraqueza de homem. Bebesse fora da conta, tolerável. Ciumento ao extremo, talvez amor. Que fosse grosseiro, dava pra suportar. Mas ao bater em mim, de cinturão, Clegivaldo assinou a própria sentença de morte. Uma pena! Não foi por falta de aviso. Cinco anos de convivência jogados no lixo. Foi ele dormir pra faca acariciar seu belo pescoço, sem dó nem piedade. Na cadeia, ainda hoje sinto o gosto de sangue, abundante e quentinho.

 

(II)

A mãe dele, seu delegado, está desesperada. Aliás todos da família, irmãos e avós, sem falar de mim, o pai. O menino saiu de casa pela manhã e, até agora, não retornou. Já são quatro da tarde, e nada ainda. Diz a empregada que foi ao centro encontrar uns amigos. Trabalho escolar, de história, sobre nossa arte sacra. Valendo nota. Num tal de Museu do Piauí, que nem eu sei onde fica, imagine um garoto criado dentro de condomínio. Mal sabe, o coitadinho, os caminhos do colégio e dos shoppings, todos na zona Leste. E inacreditável, seu delegado, pegando ônibus pela primeira vez na vida. Vê se pode! Indagados, seus colegas afirmam que Serginho não deu a cara na pesquisa. Que foi parar no Porto Alegre, tendo sido convidado pra jogar pelos guris do bairro. Ele não só aceitou, como disse querer ficar por lá, com os novos amiguinhos. Mas desde quando meu filho gosta de bola?

 

(III)

Que Larissa me traía, eu sabia há bastante tempo. Não é de hoje, após casados, como alguns pensam. Suas aprontações vêm desde o começo de nosso namoro. Sofri muito no início, mas relevei depois. Aprendi que o amor supera tudo, inclusive chifre. Ainda mais quando a mulher, insaciável, joga limpo com a gente. Era pegar ou largar. Sem pestanejar, preferi conferir de perto. E não me arrependo até a presente data. Por um simples e único motivo: Larissa me faz um homem feliz e mais generoso. Aos que procuram interferir, mando cuidarem da própria vida, magote de intrometidos de uma figa. Mal governam a própria cozinha, mas querem governar a casa alheia. Daí serem, no íntimo, pessoas amarguradas, tristíssimas. Talvez morram de inveja, queira Deus, ao saber que ela guarda o melhor de si para mim.

 

(IV)

Nunca sofri tanto como naquele dia. Chorava que soluçava, as lágrimas escorrendo igual chuva. Tudo por culpa do vizinho, um desgraçado sem coração. E sem adolescência também. Pegou a bola, que eu ganhara do meu pai, e cortou em pedacinhos. Impossível de remendar. Minha primeira bola de couro. Perversidade das grandes. Só porque um chute quebrou o vidro de sua janela. Tivesse reclamado, meu velho pagaria na hora. Mas a vingança não tardou muito, não. Além de secar os pneus do carro, fiz um risco, de ponta a ponta, na lateral do motorista. Toda vez que fosse abrir a porta, lembrasse que com guri não se mexe nunca. A confusão foi enorme, ele doido pra bater em mim, e papai saindo em minha defesa. Mas como encarar um faixa preta e professor de judô? O jeito foi engolir a raiva e arcar com o prejuízo. O melhor veio depois, sem que o dito cujo soubesse: comecei a namorar sua linda filha.

Praia de nudismo

 

No congresso da União Nacional dos Estudantes de 1983, em Cabo Frio, cidade praieira do Rio de Janeiro, ocorreu um fato que marcou indelevelmente o evento. Não estou me referindo às discussões acaloradas protagonizadas pelas várias correntes políticas do movimento estudantil, mas a um simples cartaz colado nas portas dos alojamentos da estudantada ali presente. Um cartaz escrito à mão e prenhe de sentidos, ainda mais por se tratar de um convite inusitado, pelo menos para a turma do Piauí: um banho naturista numa das lindas praias da cidade. O alvoroço provocado foi enorme e imediato, com as delegações dos estados se reunindo a fim de debater o assunto. Afinal, o tema do nudismo, além de fugir da pauta da UNE, mexia com uma série de valores. Depois de pesar os prós e os contras, apenas uns cinco a sete piauienses, todos homens, resolvemos conferir a parada.

E o prazer não podia ter sido maior diante de tanta beleza, nascendo em cada um a sensação de termos chegado, enfim, ao almejado paraíso, de onde jamais deveríamos ter sido expulsos. Lá experimentamos o verdadeiro significado da palavra liberdade, já livres do cárcere das roupas e acariciados pela brisa. Nada mais emocionante que entrar pelado no mar, feito menino travesso, e deixar que a água salgada limpe as impurezas recônditas de nosso corpo. Vontade de não sair mais dali, virar peixe de vez e mergulhar sem destino. Mas deslumbramento mesmo, colírio para os olhos, foi presenciar a sensualidade da mulher brasileira, espontânea em mostrar “suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam.”

Vexame pra valer, daqueles de corar o rosto, passamos quando as universitárias mineiras, talvez ignorando nossa secura, nos convidaram para uma partida de frescobol, o jogo com raquetes na praia. Com os “mastros” levantados e desfraldando bandeiras vermelhas, a saída foi recusar o convite alegando estarmos de partida por mares nunca dantes navegados. Logo, sem tempo suficiente para a prática esportiva na qual se “cultiva a amizade e o comprometimento nas jogadas”, segundo conceito da Federação Gaúcha de Frescobol. Se, para elas, o naturismo era algo normal, sem pudor em mostrar as partes íntimas, a coisa soava ainda estranha para nós, sobretudo, em momento de carência tão grande como aquele. Ao contrário do que imaginávamos, as pessoas se comportavam com espontaneidade, do jeito que vieram ao mundo, puras como crianças, isentas de maldade e outras intenções.

Hoje existem, no mundo e no Brasil, várias praias com o nudismo liberado, gerando emprego e renda a milhares de pessoas através do turismo. Em novembro de 2014, a título de ilustração, a Prefeitura do Rio sancionou lei oficializando a Praia do Abricó, na zona Oeste, como área de naturismo, dando amparo legal a sua prática de 20 anos. Caso alguém pense que isso está restrito somente ao Sudeste, engana-se redondamente, uma vez que o nudismo toma conta praticamente de todas as regiões do país. E precisa saber que tal prática não é modismo dos dias atuais, mas vem de longas datas, como é o caso da Praia de Tambaba, no interior da Paraíba, a primeira do Nordeste a ser oficializada ainda no distante ano de 1991, sendo também uma das poucas a proibir a entrada de homens solteiros. Daí eu indagar aos meus botões, quando tomado pelas lembranças de Cabo Frio, por que não separarmos um pedaço de nosso belo litoral piauiense ao naturismo. Sem dúvida, os amantes dessa prática e da liberdade iriam adorar bastante. Resta saber se o moralismo do Brasil atual, hipócrita e fundamentalista, que contamina o Piauí também, não apedrejaria tal iniciativa e seus defensores.