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15/10/2021
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Eu que fiz

Narguilé Hidromecânico

Por Fábio Crazy: Quatro punks piauienses e o álbum que vendeu mais que Caetano Veloso e o também recém lançado Sozinho
Era 1998 no Brasil. Fernando Henrique era presidente em um governo de centro-direita. Em Teresina, o baculejo da polícia era tão violento quanto o de hoje, e um falso ostracismo cultural contrastava com iminentes manifestações artísticas cuspidas do underground da cidade. Somadas ao calor, cultivava perfeito ambiente para a eclosão do Narguilé Hidromecânico.

Narguilê Hidromecânico: Júnior B (baixo), Cláudio Hammer (bateria), Fábio Crazy (vocal) e Nando Chá (guitarra) | Foto: Alexander Galvão

Desde seu início, a filosofia da banda foi pautada sob a égide do anarquismo prático: no repertório, no palco, na entrevista, onde fosse! Não poderia ser diferente com o álbum de estreia, nascido no fluxo das leis de Murphy, foi produzido por Beto Villares, através do antropólogo Hermano Viana. Um registro de ensaio em que foram debulhadas com fúria, potência, cinismo e deboche, dez canções das quais muitas viraram hits clássicos: Maluco Regulão, Forró do Molambo, In Memoriam, Saint Chá.
Apesar de cru e visceral, o álbum foi realizado com muito esmero e rigor, e havia uma enorme potência coletiva empurrando-o conosco para a existência: aqueles que estavam envolvidos diretamente na feitura do disco, e aqueles que acompanhavam os incendiários concertinhos de boteco.
O álbum foi lançado pela Barulho Discos. Naquele mesmo ano, venderia no Nordeste mais do que o também recém lançado Sozinho de Caetano Veloso. Um grande feito para uma banda de quatro punks delinquentes que misturavam o que fosse à uma música pautada por farras hedonistas, pulsões de vida e morte, confissões criminais, cultura canábica, amor livre, celebração do ócio poético, e sobretudo, desprezo por tudo que fosse contra a liberdade.
Ficha Técnica
Gravado ao vivo na Texto & Música, com estúdio móvel do projeto Música do Brasil
Produzido por Beto Vilares
Produção Executiva por Bernardo Paulo
Design Gráfico por Marleide Lins
Fábio Crazy – vocal
Nando Chá – guitarra
Júnior B – baixo
Cláudio Hammer – bateria
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Fábio Christian, vulgo Crazy, é operário da arte com interesses criativos em música, dança, teatro, imagem e literatura.
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Aumente o som. ;)
https://www.youtube.com/watch?v=2xzXb-3B8mk
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