Por Maria das Graças Targino
Fotos: Acervo pessoal da autora, 2026.

Egito e nuances – localização, idioma e religião

Dentre os países mundo afora que despertam muita curiosidade dentre os ocidentais está a República Árabe do Egito, nação transcontinental, geograficamente situada no Nordeste da África, ao tempo em que sua parcela territorial Península do Sinai fica na Ásia. Uma das singularidades do Egito está no fato de não ser ele banhado diretamente por oceanos, e, sim, por dois mares conectados a oceanos: o Mar Mediterrâneo, ao norte; o Mar Vermelho, ao leste, na condição de parte do Oceano Índico, com o Canal de Suez ligando os dois mares e atuando como rota para o comércio mundial. Além dos mares, o Egito faz fronteiras com a Líbia, ao Oeste; Sudão, ao Sul; Israel / Palestina (Faixa de Gaza), Nordeste.

Trânsito caótico e colorido

Ao longo de sua área territorial de um pouco mais de um milhão de km² (1.001.450), o que o posiciona como o 29o maior país do mundo, o Egito abriga em torno de 107,2 milhões de egípcios, conquistando o posto do terceiro país mais populoso da África, com 99% de habitantes, concentrando-se, sobretudo, no Vale do Rio Nilo e de seu delta, o que faz um dos guias locais gritar uma frase de amor ao Rio: “o Nilo é a artéria do Egito e de sua gente”. Afinal, a importância do Nilo demandaria um texto exclusivo. É ele o segundo mais longo do mundo, com cerca de sete mil km, aquém tão somente do Rio Amazonas. Foi e continua sendo a fonte fundamental da agricultura, da pesca, do transporte e do processo desenvolvimentista de uma região predominantemente desértica, ou seja, da vida da população egípcia ou egipciana ou egipcíaca.

Confesso que, sempre e sempre, mantive dúvidas em relação aos termos Islã e Islamismo – frequentemente adotados como sinônimos. O convívio com a gente nas ruas e hotéis deixa mais clara a distinção. A palavra Islã (Islām) deriva da raiz árabe SLM = submissão ou, em especial, submissão à vontade de Deus (Alá). Esta mesma raiz também remete à paz (salām).

Por sua posição geográfica, o Egito integra o Oriente Médio, aliado ao fato de que mantém laços históricos com o universo árabe, a partir do próprio idioma oficial – árabe – no caso, o dialeto árabe egípcio, nomeado masri. No entanto, o inglês é bastante falado nos negócios e no turismo, além do francês, alemão e italiano, enquanto a língua copta, último estágio do egípcio antigo, usa alfabeto grego. Na atualidade, sobrevive como língua litúrgica na Igreja Católica Copta e na Igreja Ortodoxa Copta, sendo substituída, gradativamente, pelo árabe. A primeira é uma Igreja oriental sui juris [do latim, de seu próprio direito], em comunhão com a Igreja Católica, inclusive, reconhecendo a autoridade do Papa, mas mantendo tradições e ritos alexandrinos próprios. A segunda figura como uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo e a maior do Oriente Médio, instituída por São Marcos, cerca de 42 d.C., seguindo a tradição de Jesus com a única natureza divina.

Aliás, como o Islã é a religião oficial do Egito moderno, com papel central na tessitura social egípcia – a maioria (85% a 95%) da população é muçulmana sunita – em contraposição a uma minoria, em torno de 5% a 15%, que pertence à Igreja Ortodoxa Copta, maior grupo cristão indígena do Egito com origem nos antigos cristãos egípcios. Nada impede, porém, a coexistência de outras religiões, às vezes, com mesquitas e igrejas lado a lado. Confesso que, sempre e sempre, mantive dúvidas em relação aos termos – Islã e Islamismo – frequentemente adotados como sinônimos para designar a religião monoteísta centrada na submissão a Alá (Deus) e nos ensinamentos do profeta Maomé. No entanto, o convívio com a gente nas ruas e nos hotéis deixa mais clara a distinção entre os termos. A palavra Islã (Islām) deriva da raiz árabe SLM = submissão ou, em especial, submissão à vontade de Deus (Alá). Esta mesma raiz também remete à paz (salām), em plena indicação de que a placidez verdadeira se dá tão somente mediante a submissão. Islã, portanto, é a religião da submissão. Seus adeptos são chamados de muçulmanos, qual seja, aquele que se submete e/ou se entrega a Deus. O Islamismo (sufixo ismo), por sua vez, diz respeito à crença religiosa, mas, também, à ideologia política ou à civilização islâmica em toda sua amplitude cultural e social.

No Cairo, maior centro do mundo islâmico e cidade mais populosa da África e Oriente Médio, há apenas 25 semáforos. O que parece sinalizar um trânsito seguro, na verdade, é a prova maior do caos que se vê nas ruas. Camelos servem, ao lado do sistema Uber, para locomoção, seja de turista ou trabalhador local.

No Cairo, o maior centro do mundo islâmico, com 606 km² e que se impõe como a cidade mais populosa da África e do Oriente Médio, há apenas 25 semáforos, apesar de a capital abrigar cerca de 25.566.102 milhões de habitantes em sua região metropolitana, o que a transforma numa das capitais mais populosas do mundo, cuja área urbana, nomeada de Al-Qahirah, aparece, com frequência, em ranking global quando o assunto é densidade demográfica. Verdade que as estatísticas sobre a população do Egito com um todo e no Cairo, em particular, são oscilantes, face à inusitada movimentação dos habitantes, uma vez que se estima a chegada de mil novos indivíduos à cidade, surpreendentemente, a cada dia. Mais de dois milhões vivem na chamada Cidade dos Mortos (Al-Arafa), que nada mais é do que uma grande comunidade, onde vivem cidadãos de baixa renda, a exemplo de nossas favelas. Situa-se abaixo das Colinas de Mokattam, no Cairo, e seu apodo deriva do fato de que muitas das casas estão construídas ao redor ou sobre antigos túmulos e/ou monumentos históricos, como se vivos e mortos pudessem conviver no mesmo espaço.

Assim, se a quase inexistência de semáforos parece, a princípio, sinalizar um trânsito seguro, na verdade, é a prova maior do caos que se vê nas ruas. Buzinas irritantes, camelos que passeiam pelas ruas pouco limpas e que servem, ao lado do sistema Uber, para locomoção, principalmente, quando o passageiro segue rumo às pirâmides, seja ele turista ou trabalhador local.

Esfinges, múmias, pirâmides e faraós

Grande Esfinge de Gizé

Ao lado de uma história milenar, intrincada e complexa, o Egito atrai pessoas de todos os cantos por sua aura mística, que incorpora o encantamento de esfinges, múmias e pirâmides, construídas por trabalhadores pagos e, no caso das pirâmides, alinhadas com precisão ao norte e ao Cinturão de Órion, termo que se refere tanto a um bravo caçador, na mitologia grega, quanto à constelação, popularmente conhecida como as “Três Marias”, uma das constelações mais brilhantes e visíveis do céu, podendo ser avistada em ambos os hemisférios.

A Esfinge do Egito configura-se como criatura mitológica com corpo de leão e cabeça humana, em geral, de faraó, simbolizando força e poder, guardiã de templos e pirâmides. A Grande Esfinge de Gizé é a mais famosa, situada no Planalto de Gizé, considerada como a maior estátua monolítica do mundo, isto é, esculpida numa só rocha, com cerca de 20 metros de altura e 73 metros de comprimento, para servir como guardiã e símbolo de sabedoria, combinando força do leão x inteligência humana.

Enquanto as esfinges são esculturas monumentais, ou seja, edificações, as múmias, que também remetem, quase que inevitavelmente, ao Egito, apesar de existirem em outras nações, dizem respeito à preservação de restos mortais do ser humano. Nesse país, quando reis ou os muito ricos e/ou os poderosos morriam, seus corpos eram preservados por embalsamamento e, então, após a remoção de órgãos internos, colocados em sarcófagos. Eis um ritual religioso existente desde 2.800 a.C., a partir da crença de que a conservação do corpo constitui elemento relevante para a vida após a morte. Como decorrência, os sarcófagos eram ricamente decorados. Em pedra ou em madeira, protegiam múmias e guiavam almas na fase pós-vida, assegurando a imortalidade.

Pirâmides mais famosas do Egito: Quéops, Quéfren e Miquerinos

As pirâmides do Egito são antigas estruturas em alvenaria construídas pela civilização do Antigo Egito, cujo total é impreciso, mas oscila entre 100 e 140 pirâmides identificadas até 2008. Na maior parte das vezes, são túmulos gigantes destinados a abrigar faraós e seus/suas consortes, incorporando objetos de valor sentimental ou econômico para os mortos. Embora a primeira pirâmide do Egito seja a Pirâmide Escalonada de Djoser, em Saqqara, construída por volta de 2.630 a.C. durante a III Dinastia, as três pirâmides mais famosas do Egito são a de Quéops, Quéfren e Miquerinos, situadas no Planalto de Gizé, próximo do Cairo, e construídas para os faraós da IV Dinastia.

A primeira delas, Pirâmide de Quéops ou Grande Pirâmide de Gizé ou, simplesmente, Grande Pirâmide, é a mais antiga e a maior dentre elas, construída mais ou menos em 2.560 a.C. e cuja altura original alcançava 146 metros, configurando-se como a única das “sete maravilhas do mundo” que permanece intacta. Quéfren, por sua vez, construída para o filho de Quéops (poderoso faraó da IV Dinastia durante o Império Antigo e governante por volta de 2.500 a.C., que se tornou conhecido exatamente por encomendar a Grande Pirâmide), ainda mantém o revestimento original de calcário em seu topo. A pirâmide de Miquerinos é a menor, com “apenas” 62 a 65 metros de altura.

Aliás, o termo – faraó – que aparece tantas vezes, ao longo do texto, guarda um belo significado: “casa elevada” ou “grande casa”. Originário do egípcio antigo per-aá, a princípio, nomeava o palácio real e não o mandatário. Com o tempo, segundo a polêmica enciclopédia Wikipédia, passou a designar os reis do Antigo Egito, considerados monarcas absolutos e deuses vivos, haja vista que eram classificados como encarnação do deus Hórus, uma das divindades mais importantes do Egito Antigo na condição de deus dos céus, do sol e dos faraós. Representado, comumente, por um falcão ou um homem com cabeça de falcão, na mitologia egípcia, é filho de Ísis e Osíris, famoso por vingar seu pai ao derrotar seu tio Set, unificando o Egito. Neste sentido, o poder dos faraós era, portanto, teocrático e hereditário. Sua função mor, a administração pública e o cumprimento de seu papel como deuses. Entre os faráos do Egito Antigo, destaque para Ramsés II ou “O Grande”, que se notabilizou por construções suntuosas e batalhas imponentes; o recém-citado Quéops; Tutancâmon, faraó, dizem, medíocre, mas que se notabilizou porque sua tumba, no Vale dos Reis, foi descoberta, em 1922, sendo a única tumba real egípcia encontrada com todo seu tesouro preservado, incluindo uma icônica máscara de ouro, presente em vários locais turísticos, o que permitiu aos estudiosos entender um pouco mais sobre a cultura de então.

Tutancâmon e sua icônica máscara de ouro

Tutancâmon, faraó, dizem, medíocre, se notabilizou porque sua tumba, no Vale dos Reis, foi descoberta, em 1922, sendo a única tumba real egípcia encontrada com todo seu tesouro preservado, incluindo uma icônica máscara de ouro, o que permitiu aos estudiosos entender um pouco mais sobre a cultura de então.

Cultura e curiosidades

A cultura egipcíaca é bastante singular, coalhada de curiosidades e de surpresas! Por exemplo, no Egito Antigo, os gatos eram considerados semideuses. Matá-los podia levar à pena de morte. Em sinal de luto, os egípcios depilavam as sobrancelhas. Se, nos dias de hoje, o costume não mais existe, ainda é comum encontrar uma série de souvenires com imagens dos felinos de toda cor e tamanho.

No Egito Antigo, os gatos eram considerados semideuses. Matá-los podia levar à pena de morte. Em sinal de luto, os egípcios depilavam as sobrancelhas. Se, nos dias de hoje, o costume não mais existe, ainda é comum encontrar uma série de souvenirs com imagens dos felinos de toda cor e tamanho.

Decerto, é mais fácil trazer um chaveirinho em forma de gato do que carregar os conjuntos maravilhosos de lençóis egípcios com milhares de fios, haja vista que os egípcios são famosos em cada canto do mundo pela qualidade de seu célebre algodão, colhido à mão, o que permite o cuidado com as características originais da fibra, quais sejam, maciez e brilho. No entanto, ao contrário do que se pensa, mesmo em território egípcio, são produtos de custo elevado, principalmente, quando se ganha em reais. Aliás, em se tratando de moeda, o Egito não é um país caro, com uma libra egípcia valendo 0,019 dólar americano ou 0,017 euro.

Desde a Antiguidade, porém, o povo egipciano destaca-se por diferentes feitos. Criou o calendário solar de 365 dias com o intuito de prever as inundações do Nilo, essencial para o cultivo e para a sobrevivência de sua gente. Também consta como o responsável pelo papiro, precursor do papel e que causou significativa revolução na circulação dos conhecimentos, de modo que, até hoje, é fundamental para a economia do país no campo turístico: é impossível voltar do Egito sem trazer consigo um papiro, cuidando para não trazer na mala falsos exemplares. Na Medicina, deram passos gigantes rumo ao universo da cirurgia, adotando o processo de mumificação para entender a anatomia do corpo humano. Na Odontologia, adotaram próteses e tratamentos dentários.

Diante de dúvidas costumeiras de como se portar no país que não é o seu, sempre está a gorjeta. Se em algumas poucas nações, como Finlândia, pode parecer ofensiva, no Egito, as gorjetas (baksheesh) são sempre bem-vindas e esperadas, uma vez que os salários são, em sua maioria, baixos.

Diante de dúvidas costumeiras de como se portar no país que não é o seu, sempre está a gorjeta. Se em algumas poucas nações, como Finlândia, pode parecer ofensiva, no Egito, as gorjetas (baksheesh) são sempre bem-vindas e esperadas, em diferentes instâncias, como dentre garçons e maleiros, uma vez que os salários são, em sua maioria, baixos. Ademais, o turista deve estar preparado para revistas com raio-X, em locais de grande aglomeração, a exemplo de shoppings, metrôs e pontos turísticos, reforçando que se trata de um povo bastante gentil e caloroso, o que conduz à aprendizagem da frase Ahlan wa sahlan (Seja bem-vindo), repetida, em diferentes ocasiões, com eventuais convites para chá.

Podemos encontrar homens de mãos dadas (não casais) ou se cumprimentando com três beijos na face, mas há restrições, sim, diante da homoafetividade, de mulheres vestidas com roupas decotadas e/ou chamativas e de carícias públicas entre casais, os quais aproveitam as sextas-feiras e sábados para passeios, porquanto domingo é dia útil, preceito da religião islâmica. Em pleno século 21, em meio às redes sociais e à expansão da internet, formalmente, é proibida a veiculação de cenas televisivas ou no cinema contendo até imagens de beijos, em produções do país. Paradoxalmente, o material advindo de outros países não sofre impedimento, o que traz desconforto para os profissionais locais. Nesse clima de “moderação”, ao que parece, excessiva, mas coerente com a crença prevalecente, as bebidas alcoólicas são reprimidas para os egípcios, o que termina, talvez, por inibir os turistas. Em oposição, o cigarro, eletrônico ou não, e o narguilé fazem a festa nos mais distantes ambientes e em qualquer horário.

Podemos encontrar homens de mãos dadas (não casais) ou se cumprimentando com três beijos na face, mas há restrições diante da homoafetividade, de mulheres vestidas com roupas decotadas e/ou chamativas e de carícias públicas entre casais, os quais aproveitam as sextas-feiras e sábados para passeios, porquanto domingo é dia útil.

Quanto à troca de mulheres por camelos como prática vigente, na atualidade, é mera piada dirigida a turistas, sobretudo, a mulheres ocidentais. O que ainda existe na cultura egípcia e em muitas outras culturas árabes e muçulmanas é o mahr, termo que equivale a um dote, na condição de presente obrigatório do noivo à noiva, como prova de carinho e de respeito. O tal dote pode ser ouro, joias, camelos e outros itens, cabendo ao homem comprar uma casa e mobiliá-la para a esposa, egípcia ou estrangeira. Porém, no centro de tantos vetos para o sexo feminino, mesmo no Egito contemporâneo, a poligamia é permitida para os muçulmanos. Com base nos preceitos islâmicos, eles podem manter até quatro esposas, ao mesmo tempo, se as condições econômicas lhes permitirem. E é por conta disso que a prática não é comum, sobretudo, nas zonas urbanas, com maior incidência em áreas rurais.

Por fim

… o que fica evidente é que se passeios aos países não permitem aos turistas desvendar suas diferentes facetas, em se tratando do Egito, ainda é muito mais difícil e complexo. É preciso atentar para o fato de que a civilização egípcia aí está há mais de 5.000 anos, com origem que remonta a, aproximadamente, 3.100 a.C. a 3.500 a.C., quando se deu a unificação dos chamados Baixo e Alto Egito. A cultura egípcia é, sim, um mistério a ser desvendado ou não… O mistério encanta… Por exemplo, apesar de inexistirem sinais de Cleópatra, ela é uma das figuras históricas mais conhecidas do mundo, atribuindo-se a ela o comando do Egito por 22 anos. Egiptólogos (especialistas que se dedicam ao estudo do Egito Antigo), arqueólogos e paleontólogos fazem buscas de diferentes naturezas em território egípcio em busca de algum sinal. Dizem que foi uma a rainha-faraó, até porque se tem registro da existência de Hatshepsut, uma das raras mulheres a receberem o título. Dizem que foi uma rainha inteligente e poliglota, com domínio de nove idiomas, sendo a única de sua dinastia – a dinastia ptolomaica – a aprender a língua egípcia. Dizem…

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Maria das Graças Targino é Doutora em Ciência da Informação (Universidade de Brasília) e jornalista. Finalizou seu pós-doutorado na Universidade de Salamanca, Espanha. Sua experiência acadêmica inclui, além da vinculação com a Universidade Federal do Piauí e outras universidades brasileiras, cursos em países como Inglaterra, Cuba, México, França e Estados Unidos. Autora de centenas de artigos, capítulos e livros em ciência da informação e comunicação, enveredou pela literatura como cronista. Membro da Academia de Literatura de Teresina, mantém, sistematicamente, coluna semanal de opinião em jornal de Teresina. Recebeu Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação; Prêmio do Programa Information for All Programme (Unesco); Título de Cidadã Teresinense e Prêmio “Mérito Jornalístico”; homenageada do SALIPI 2024. e-mail: gracatargino@hotmail.com