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19/09/2021
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Nathan Sousa

O itinerário da luz

“VAMOS NESSA”? – Nathan Sousa entrevista Xaxá Nobre, dos Geniais de Amarante

 

Poucas são as pessoas que moravam no Piauí, entre os anos 80 e 90, que não foram a uma festa animada pela maior banda da história do estado: Os Geniais de Amarante. Falar de Os Geniais é, sem sombra de dúvida, falar de Xaxá, o vocalista. Nascido em 21 de fevereiro de 1961, no Juazeiro do Norte-CE, Vicente dos Santos Nobre virou Xaxá Nobre. Da performance eletrizante ao estilo glamoroso e despojado – como se incorporasse um misto de Ney Matogrosso e Robert Plant – Xaxá deixou (nos palcos de um sem número de clubes espalhados pelo Piauí, Maranhão, Ceará e Pará) marcas de alegria, deboche e leveza, traços que só os que nasceram para o show sabem sem titubear. Agora, depois de tantos anos longe deste cenário e de estar superando com a mesma desenvoltura uma doença grave, o cara ainda tem fôlego para mais. Vem um livro por aí. É mole? Com vocês: Xaxá Nobre!

Nathan Sousa – Após 40 anos de carreira e agora, por ter tido um granuloma na prega vocal esquerda, com uma abdução total da voz, olhando para suas fotos, quando você atuava nos palcos do Norte e do Nordeste do Brasil, no que você pensa? 

Xaxá Nobre – Quando meu médico, o Dr Erick, me deu a notícia de que eu não ia mais poder cantar, na hora foi um baque muito grande porque era o que eu mais amava fazer: cantar e levar alegria para as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, eu estava muito feliz e agradecido a Deus por estar vivo. Hoje, olhando minhas fotos e assistindo aos vídeos das minhas apresentações, sinto o quanto foram valiosos esses 40 anos de carreira. Não tenho nenhum tipo de frustração porque tudo o que eu fiz foi com muito amor, muita dedicação e respeito à minha legião de fãs. Deus me deu uma nova chance de viver, e isso, no momento, é a coisa mais importante na minha vida, ou seja, tentar viver com saúde.

NS – Antes de ser cantor você foi modelo. Como se deu essa mudança de ofício, se é que podemos chamar assim? 

XN – Em 1976, aos 16 anos de idade, fui convidado pela DIJOM JEANS para desfilar em um lançamento de sua marca em Recife. Eu já tinha 1,80m de altura e era apropriado para os padrões da época. Fiquei por 4 anos desfilando em alguns freelances, mais não era realmente o que eu queria para a minha vida. Eu tinha muita vontade de ser cantor, e foi aí que surgiu a minha primeira oportunidade de cantar em uma banda profissional: o MC-8, de Picos.

NS – “Tudo o que disseram sobre mim não é importante. Quando eu canto, eu acredito. Sou honesto”. Tomando como base esta frase de Frank Sinatra, o que o Xaxa de hoje diz sobre o Xaxa de Os Geniais? 

XN – Se falarem mal ao meu respeito, eu respondo com o meu canto. Eu acredito que a honestidade muda o mundo e, assim, você sempre terá o respeito de todos. O Xaxá de hoje leva a vida com mais leveza e carrega uma bagagem muito grande. Aprendi nesses 40 anos. Todos os que me conhecem sabem que nunca fui um artista de ostentação. Sempre procurei viver com dignidade em relação ao meu padrão de vida. Nos Geniais, eu tinha tudo ao meu alcance em termos financeiros. Eu era o cantor de banda mais bem pago do Nordeste. Nem isso, nem o sucesso virou minha cabeça porque eu sempre tive os pés no chão. Ganhei muito dinheiro, gastei muito também, mas não com coisas frívolas. Foi mais com meu próprio bem-estar. Sempre fui um cara vaidoso. Gosto de me vestir bem e de ter uma casa com muito conforto. Mesmo hoje, aos 60 anos, procuro me cuidar da melhor maneira possível.

Eu cantava e dançava. A galera veio à loucura. Muitos aplausos, gritos e muita viadagem, lógico!

NS – O Doutor Miranda (então prefeito de Amarante) viu você atuando e lhe procurou para que você fosse contrato. Como se deu esse episódio? 

XN – Em agosto de 1984, eu estava cantando em uma churrascaria em São Raimundo Nonato, com a Banda ELLU´sS, de Picos, e Os Geniais estavam tocando em um clube da cidade. A Banda ELLU`S encerrava sua apresentação mais cedo e íamos todos descansar no hotel. No entanto, eu tinha muita curiosidade para ver Os Geniais tocando, porque, naquela altura dos acontecimentos, ela já era considerada a melhor banda do Piauí. Então eu fui até lá, para conhecer a banda. Nessa ocasião, um dos cantores me chamou no palco para que eu desse uma “canja”. Subi e dei meu show cantando  Say Say Say, de Paul McCartney e Michael Jackson. Eu cantava e dançava. Com isso, a galera veio à loucura. Muitos aplausos, gritos e muita viadagem, lógico! (Gargalhadas). Foi o BOOMM da festa. O Doutor Miranda estava presente e me chamou para uma conversa. Ele me fez uma proposta para que eu cantasse nos Geniais. Eu quase tive um troço porque era o meu sonho cantar em uma banda grande como era os Geniais. Não pensei duas vezes. A proposta era irrecusável. Voltei para Picos e, no dia 15 de setembro de 1984, cheguei de mala e cuia em Amarante. Daí surgiu o nome “Xaxá”. O resto vocês vão saber na minha biografia!

NS – Você também transitou por outras bandas, fale-nos um pouco desta experiência. 

XN – Comecei minha carreira logo cedo em um grupo de jovens da minha cidade: Juazeiro do Norte-CE. Em 1980, eu fui para Picos, cantar no MC-8, depois, Martins Som, Banda Ellus, Os Geniais de Amarante, Black Banda, de Quixadá, Grupo Magazine, Bandas Azimuth e Banda Magazine. Em 2000, já de saco cheio de trabalhar para os outros, montei a minha a banda: a Nega Fulô. Em 2004, parti para a carreira solo.

NS – Você mora em Fortaleza com seu companheiro. O que o Xaxá escuta hoje? 

XN – Moro em Fortaleza há 14 anos com meu companheiro, o Antonio Valdecy, mesmo sentindo muitas saudades das nossas famílias. Já nos adaptamos aos ares praianos. Fortaleza é uma cidade linda. Moramos na Praia do Futuro. Sempre faço minhas caminhadas no calçadão da praia para poder respirar um pouco o ar fresco. Isso faz muito bem à minha saúde. Em casa, gosto de ouvir uma boa música, de preferência a dos anos 80, porque tenho um acervo musical muito grande. Eu sempre procuro ficar atualizado com relação às tendências da música. Escuto Ed Sheeron, Coldplay, Lady Gaga, Bruno Mars, Marisa Monte, Maria Rita, Jorge Vercillo, e muitos outros da MPB. Sempre fui um cara um tanto eclético. Só não curto esse “forró de plástico” que toca de cabo a rabo no país.

NS – O palco faz falta ou deu o que tinha que dar? 

XN – Eu sempre fui um cara do palco, de grandes shows, de figurinos exóticos, e foi isso que fez minha carreira durar 40 anos, além de sempre ser bem-visto pelo público. Devido à lesão na minha prega vocal, tive que me ausentar do cenário artístico. Eu acho que foi muito válido o que eu fiz na música. Tem uma hora em que você precisa parar. No meu caso, foi por problema de saúde. Graças a Deus estou muito bem resolvido com relação a isso. E… vida que segue, não é, bebê! (Gargalhadas)

NS – Para quem achou que você estava esgotado artisticamente, agora vem um livro por aí. O que o leitor deve esperar dessa nova jornada, um “Valeu, tchau!” ou um “Vamos nessa!”? 

XN – Logo quando recebi a notícia de que eu não poderia mais cantar, pensei em me isolar e tentar levar uma vida normal, desempenhando outro tipo de atividade. Quero ressaltar que eu não fiquei triste. Fiquei procurando achar uma maneira de sobreviver porque, mesmo tendo enfrentado duas cirurgias na garganta, jamais perdi a vontade de viver e de ser feliz. Mas eu sempre falo que Deus coloca anjos na sua vida, ele colocou um anjo e poeta chamado Nathan Sousa, um dos maiores escritores da atualidade do Piauí. Por falar nisso, deixe-me falar sobre ele como se ele não fosse você, tá bom, bebê? (Gargalhadas)

Ele, no começo da nossa conversa, queria apenas fazer uma entrevista para o seu Blog e para os portais e revistas aos quais  colabora, contando um pouco da minha trajetória no Piauí, em especial nos Geniais de Amarante, e de repente, no meio da nossa conversa, surgiu a ideia de escrever um livro, uma biografia, contando sobre a toda minha trajetória de vida, tanto pessoal quanto na música, já que uma não existe sem a outra. Você, como um grande fã, já sabia parte da minha história, e foi aí que me ascendeu uma luz: “Por que não”? – Eu pensei. A ideia foi sendo amadurecida, eu fui escrevendo sob sua orientação, e já estamos praticamente com o livro pronto. Se Deus quiser, lançaremos ainda neste ano. Eu estou tomando gosto pela literatura e pretendo não parar mais porque é uma maneira de eu estar sempre presente no mundo artístico. O meu eterno agradecimento a você. Hoje eu me sinto mais leve, feliz, e muito entusiasmado com o nosso projeto. Como sempre falo a você: LACROU, bebê!! (Gargalhadas).

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Nathan Sousa (Teresina, 1973) é ficcionista, ensaísta, poeta, letrista e dramaturgo. Tem vários livros publicados, dentre eles Um esboço de nudez (2014) e Semântica das Aves (2017). Venceu por 04 vezes os prêmios da União Brasileira de Escritores, foi finalista do Prêmio Jabuti 2015 e do I Prémio Internacional de Poesia Antonio Salvado.

email: nsrlezama@hotmail.com

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E o rock ainda pulsa…

Era o começo da década de 1990 quando eu parti para meu último ano do ensino médio, carregando nada mais que a incerteza, a caminho do colégio Objetivo. Daquele ano terrível (quase fui reprovado), resta-me a lembrança de uma capa de disco que um colega de classe ostentava para cima e para baixo. Era o “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs.

No dia 29 de dezembro de 2018, em São Gonçalo do Piauí, aconteceu uma edição do que um amigo, o Chris Ramone (esse nome já diz muito!), chamou de Rockentura. Um evento criado por ele e por Francisco Myller, que contou com a colaboração de um número (para a surpresa de muitos) significativo de apoiadores. A primeira edição foi um sucesso, a segunda apresentação também. Debaixo de uma chuva torrencial, as atrações da noite (Cajón Band e Felipe Cerqueira com sua Banda Retroativa) fizeram-me lembrar daquele distante ano, tão sofrido. Ninguém que fazia parte da minha vida em 1990 estava ali, com exceção de minha irmã (Karina) e Seu Zé Pereira, proprietário do clube (Cajueiro Espaço Livre) que, na época, trabalhava com meu saudoso pai.

Daquele ano terrível (1990), resta-me a lembrança de uma capa de disco que um colega de classe ostentava. Era o “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs.

O repertório da noite foi o mais variado do rock in roll. As pedras rolaram pra valer. Olhei várias vezes em minha volta enquanto a chuva caía, mas o ano de 1990 não me saía da cabeça. Foi um tempo duro, de muitas incertezas. O muro de Berlim caía, havia guerra na praça da Paz Celestial, a banda alemã, Scorpions, lançava sua inesquecível Wind of Change, perdemos para a Argentina na Copa do Mundo, Teresina se abria para os grandes shows, Cazuza partia para sempre.

A Cajón Band assanhou a festa. Felipe Cerqueira e a Banda Retroativa espalharam álcool na fogueira. Mas a chuva não parava. Manoel de Jah, o locutor da noite, enalteceu minhas conquistas literárias, agradeci, mas aquele ano não me saía da cabeça. Aquele terrível ano de 1990. Fui até o palco pensando em falar sobre o evento, mas falei sobre o amor e a amizade como se eu estivesse falando para ele, o ano distante.

Saí antes de acabar a festa, assim que a chuva passou. Em casa, abri a porta da cozinha, sentei-me no batente e passei minha mão direita sobre meu pulso esquerdo. E aquele ano ainda estava lá: no pulso.

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A literatura do fim do mundo em Vargas Llosa

Nathan Sousa
Poeta, ficcionista, ensaísta e dramaturgo

Certo dia, o monumental Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, caiu nas mãos de outro gigante das letras da América Latina: Mario Vargas Llosa. O escritor peruano, figura fundamental do chamado boom da literatura latino-americana, empreendeu uma jornada pelo caminho trilhado por Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, na Guerra de Canudos. Figura central da obra de Euclides, Antônio Conselheiro percorre o sertão da Bahia. Desta empreitada nasceu a obra La Guera del Fin del Mundo (1981). É sabido que a ficção tem a função de ajudar o real a se revelar, ao contrário do que pensam, aqueles que relegam a função da literatura a mero agente secundário. Não me acanho diante das palavras, essas bailarinas que revelam a “alma” da realidade.

A Guerra de Canudos aconteceu entre os anos de 1896 e 1897. O evento se deu no começo da Primeira República. Tratava-se de um regime incompreendido pela população brasileira. A Guerra de Canudos, uma contra resposta ao Regime, acontecia em um Brasil que o Brasil não conhecia. Foi o próprio Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, quem usou de fina ironia na dedicatória de seu livro: “A Euclides da Cunha no outro mundo”. A figura messiânica de Conselheiro era tida por seus seguidores e ainda concebida por muita gente que habita aquela região, como uma espécie de santo e profeta. Um anti-herói a serviço do povo, contra os ideais de uma República incompreendida pelas massas. O romance de Varga Llosa se passa entre Salvador e Canudos. O Conselheiro trabalha como restaurador de templos católicos e de cemitérios pelo interior da Bahia.

A utopia nasce onde a realidade fracassa, ainda que a busca não seja por outro lugar para se viver, mas para o mesmo, modificado, ainda que seja no fim do mundo.

Mario Vargas Llosa nasceu em Arequipa, Peru, no ano de 1936. O autor de La ciudad y los perros (1963) e de Conversación en La Catedral (1969), dois dos seus livros mais conhecidos, faz uma releitura crítica da História em La Guera del Fin del Mundo (1981), ampliando o campo de ação da ficção através do traço dos personagens e do uso excessivo da intertextualidade. A República era a simbolização de uma utopia: o desejo de se ter um país sem desigualdades sociais, provenientes da fortuna monárquica que marcava o Brasil. Euclides traçou um perfil ensaístico, sistemático, científico, físico e psicológico de Canudos. Vargas Llosa explorou os meandros da Guerra através da ficção com seu lado subversivo, obscuro, radical. Admirado e odiando em várias partes do mundo (características típicas dos grandes escritores), Vargas Llosa apresenta o caráter subjetivo de um momento tão importante e tão esquecido da realidade brasileira, onde as contradições políticas, sociais e econômicas se acentuavam cada vez mais. Era a vez do trabalhador campesino, vitimado pela fome, pelo descaso e pela penúria de sua condição de vida, ser visto com olhos que, até então, ninguém viu. A resistência, em Canudos, dava voz e vez aos que eram considerados como bandidos a favor da “desordem” nacional. Uma afronta ao latifúndio. Antônio Conselheiro, restaurador de igrejas, teve na Igreja Católica seu principal denunciador. A adesão às seitas religiosas foi inevitável. Ele, que nunca pregou contra a Igreja Católica, mas que a defendeu como poucos em seu tempo.

Curiosamente, não há, na obra de Euclides, nenhum relato acerca do cordelismo, expressão popular iletrada, típica da região de Canudos, local marcado por dois elementos: o misticismo e o cangaço. Com esses subsídios, tem-se a esperança em um “salvador” à maneira de D. Sebastião, esvanecido na batalha de Alcácer-Quibir. E uma implícita louvação ao sertão, tal a Terra Prometida. Diante deste cenário, o caminho era o da rebeldia violenta. Ou melhor, pegando de empréstimo as palavras de Euclides da Cunha: da ação “no fio da espada”.

Como uma das figuras de destaque em La Guerra del Fin del Mundo tem-se o “Jornalista Míope”. Descrito apenas desta maneira, trata-se de um personagem que trabalhava para o periódico de propriedade do Barão de Canabrava. Um representante político com fortes ligações às oligarquias rurais. Deste matutino, passou a trabalhar para o Jornal de Notícias, que tinha como figura central o senhor Epaminondas Gonçalves, um representante republicano. Observa-se que Vargas Llosa desvia o enfoque da concepção local para uma ampliação de interesses ideológicos nacionais com o amparo da mídia formadora de opinião. A narrativa se dá em terceira pessoa, donde tem-se um agente que usa de fina ironia, emitindo juízos de valor em várias passagens do livro.

O Jornalista Míope segue Jurema, esposa de Rufino, e o Anão, um ex-integrante do Circo do Cigano e também exímio contador de histórias trovadorescas, dos tempos da Idade Média. Tais episódios transformam o ponto de vista do Jornalista Míope a respeito de Canudos. Ao perder seus óculos, ele passa a depender de Jurema e do Anão. Acontece a ligação entre a sua mente (analítica e perquiridora) e sua visão do mundo e do imaginário do homem do sertão, além do altruísmo e do sentimento de humanidade do mesmo. Canudos passa a ser apenas uma amostra do retrocesso do sertão. Ultrapassando as barreiras impostas pelo cientificismo de sua concepção da Guerra de Canudos, suas certezas começaram a desmoronar. Até o amor lhe flechou o peito na pessoa de Jurema. O tempo narrado oscila entre o anacronismo e o avanço acelerado.

Outro personagem aparece no livro como representante, digamos assim, da ciência: Galileo Gall, o frenólogo escocês. Este muda seu nome para tentar escapar das autoridades de várias partes do mundo, por ter cometido crimes em prol da revolução. Obcecado pelos ideais de liberdade, Gall acaba chegando a Canudos. É ele quem dá notícias do “fim do mundo” para o mundo. Suas ideias e suas ações fazem com que Epaminondas Gonçalves encomende sua morte. O mesmo Epaminondas Gonçalves, com quem Gall (o homem dos cabelos vermelhos, rebeldes, símbolo do socialismo e do comunismo) faz um acordo de transporte de armas para Canudos. Temos aí dois elementos defensores da bandeira da ruptura: Antônio Conselheiro (o barbudo de camisolão azul) e Galileu Gall. O primeiro, representante do medievalismo impregnado no Nordeste do país. O segundo, o mundo intelectualizado da costa marítima.

Quem conhece a rota até Canudos é Rufino, esposo de Jurema. Os dotes de Jurema violentam os desejos sexuais de Gall, que a estupra. Rufino sente sua honra também violentada e resolve matar o escocês (também a mulher). Antes, precisa dar uma surra na cara do frenólogo, símbolo máximo da falta de respeito para o sertanejo. Para legitimar a morte de sua mulher, Rufino recebe a autorização do Barão de Canabrava, em uma clara manifestação dos ideais feudais. O embate entre esses dois personagens demostra uma nítida relação entre o velho e o moderno; entre jagunços e republicanos. Ambos morrem. Não há vencedores. Morrem como muitos em Canudos e do mesmo motivo: a incompreensão.

Já o ponto de vista político fica ao encargo do Barão de Canabrava. Defensor fervoroso da República, o coronel Moreira César é outro personagem de destaque dentre tantos. O Barão era um fiel representante da elite agrária da Bahia. O que estava em jogo era a defesa da riqueza até então conquista pela elite. Mas Canudos adveio. Um de seus aliados era exatamente Moreira César. Gravemente ferido em um conflito contra Canudos, Moreira é levado para Calumbi, propriedade do Barão. No diálogo entre os dois fica claro um choque de opiniões. O radicalismo e a lucidez de Moreira afrontam o conservadorismo do Barão. Passado algum tempo, o Barão depara-se com sua esposa em estado de loucura. Neste momento, ele recebe a visita do Jornalista Míope que lhe pede emprego em seu jornal e uma ajuda para o tratamento da tuberculose que acometeu o Anão. A conversa entre os dois é longa e indutiva. Ao contrário de Euclides da Cunha, sob a tutela da ficção, Vargas Llosa busca outras vozes que não apenas a dos vencedores, e estas vozes manifestam uma reavaliação dos conceitos, principalmente da nossa condição humana. Trata-se de um período onde as tensões em volta da utopia da América, criada pelo colonizador europeu com as investidas ultramarinas, tomava corpo no interior da Bahia, o que demarca, claramente, uma herança do feudalismo.

O ideal de justiça e a esperança por um mundo melhor, tinham, nas pregações do Conselheiro, um viés apocalíptico. Deve-se destacar ainda dois nomes que exerceram forte liderança em Canudos: o ex-cangaceiro João Abade e o índio Pajeú. Canudos assemelha-se, em certos aspectos, a Macondo, de Cem Anos de Solidão, obra máxima de outro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, o colombiano Gabriel García Márquez, no que diz respeito ao caráter missionário fantástico: passavam por lá curandeiros, mascates, romeiros, cartomantes e gente de todas as estirpes. O cenário era propício para ampliar o leque de incertezas a respeito do futuro de suas vidas: a proximidade da virada do século. Outros personagens de destaque são Maria Quadrado, que foi estuprada quatro vezes até tornar-se “Mãe dos homens” em Belo Monte, nome dado a Canudos, e Beatinho, o imitador de Antônio Conselheiro. Com a iminência da morte de Antônio Conselheiro, seus seguidores temiam a possibilidade de ficarem órfãos. Nota-se como sua figura mística conseguiu dar uma nova roupagem à concepção de pobreza. Pode-se dizer, a grosso modo, que ele “dignificou” as mazelas pelas quais os sertanejos passavam com frequência. A rebeldia de Conselho, ao queimar os editais, decretou sua guerra contra o poder opressor. Daí nasce sua utopia e a de seu povo.  E a utopia nasce onde a realidade fracassa, ainda que a busca não seja por outro lugar para se viver, mas para o mesmo, modificado, ainda que seja no fim do mundo.

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A gênese da deusa

Do que se sabe da formação do cânone ocidental na literatura, especialmente da poesia, a mãe das sociedades deste lado do mundo (a Grécia Antiga) formou suas bases na poesia épica. Ainda poderei ser mais fatalista: se tivéssemos que pronunciar um e somente um nome para representar tal momento, o nome seria “Homero”. Ninguém foi tão soberano no campo da literatura clássica quanto ele. Não se sabe e nunca se saberá quantos seguidores o autor de Ilíada teve (e tem), mas podemos afirmar que todos fracassaram quando tentaram rivalizar com aquele que confundiu seu nome com o nome “poesia”. Homero era a encarnação da poesia. Estudar a obra de Homero na Grécia de seu tempo não era apenas uma ordem; era um dever existencial de um povo. Pronunciar a palavra “Homero” era dizer, quase com as mesmas letras, “doutrina”.

No entanto, para os dias de hoje, onde há uma complexidade diferente daquele tempo, seu nome representa uma simbologia de uma obra consolidada, fundamental, mas ela não foge ao ambiente da discução como acontecia em seu tempo. Homero é um gigante, uma pilastra das letras, mas não exerce a mesma soberania de outrora. Cogita uma soeidade finalizada, não o reflexo confinante de uma realidade. O poeta grego trata de tudo o que é humano e desumano em cada um de nós. A Ilíada mostra campo aberto de batalhas individuais; a Odisseia¸ a aproximação com as normas, caprichos e falhas da vida mundana.

Não seria exagero nem mesmo redundante dizer que Homero era “homérico”.  Mas a força de sua narrativa é tão grande que ele, o poeta, parece não estar ali, no poema, quando o lemos, embora saibamos que ele, Homero, impõe sua força em cada letra. A exemplo de Aquiles, no final da Ilíada, a cada instante, o poeta procura a última vitória, e esta não é outra senão a de ter que vencer a si mesmo. Ainda que só possamos analisar a poesia lírica da Grécia Antiga de maneira fragmentada. Era uma poesia dionisíaca. Aqui, tem destaque a poesia de Píndaro com sua “Epinikioi”, ou seja, suas canções de exaltação à vitória de seu povo em qualquer meio. Píndaro exerceu forte influência na poesia de seu tempo e nos séculos seguintes. O poesia sabia criar uma amálgama de espiritualidade e altivez de maneira originalíssima. Ainda assim, Píndaro não escrevia com clareza imediata. Suas composições eram marcadas pelo rebuscamento de uma linguagem densa, cheia de metáforas. Trata-se de uma poesia rica, com poemas muito bem construídos, onde a música era seu ativo mais caro; sua pilastra central. Mas quem inaugura o cosmopolitismo da literatura não é Dante nem Píndaro: é Ésquilo com o seu Prometeu Agrilhoado.

Há uma força transitiva neste momento, onde outra figura, a de Eurípides, marca profundamente. Agora, a temática da vez é a nova concepção de Cidade, onde o indíviduo os meandros de sua vida são do interesse do poeta. É a alma solitária do ser humano, a matéria-prima de sua poesia. Com o experimento de uma queda na qualidade poética de seus primeiros anos, a Grécia encontrou em Sófocles um suposto mediador de situações extremadas e, mesmo quando o poeta não conseguiu encontrar este caminho, apresentou ao mundo uma poesia suavemente dolorosa, encantadora, que o colocou em um patamar de preferência dos chamados classicistas. Um mestre da construção estética da palavra; um senhor soberano do lirismo, ainda que ele concebesse que somente pelo sofrimento é que podemos apontar com segurança nosso verdadeiro lugar no universo. Mas foi em Platão, o Platão poeta, que a poesia desembocou de vez nas profundas da razão até chegar no mito. Neste ciclo inicial da poesia, é salutar destacarmos a poesia “alexandrina”, de caráter erudito, marcada pela liberdade do espírito poético, que tem em Calímaco seu nome mais destacado, com seu belíssimo poema O Caracol de Berenice. E as linhas enviesadas da poiesis começam a se expandir. Com o declínio da civilização grega, as características poéticas de então se assemelhavam ao que viria a ser chamado de moderno (a melancolia erótica de Teócrito que, nas palavras de Ezra Pound, foi um dos maiores de todos, é representante clássico deste novo instante). Portanto, começa ali, na Grécia Antiga, o périplo desta deusa do esquecido: a poesia.

Nathan Sousa (Teresina, 1973) é ficcionista, ensaísta, poeta, letrista e dramaturgo. Tem vários livros publicados, dentre eles Um esboço de nudez (2014) e Semântica das Aves (2017). Venceu por 04 vezes os prêmios da União Brasileira de Escritores, foi finalista do Prêmio Jabuti 2015 e do I Prémio Internacional de Poesia Antonio Salvado.

email: nsrlezama@hotmail.com

O amor de Sophia

o mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Se compreendermos que cada poeta arrasta em sua natureza uma, e, somente uma palavra, para que, a partir daí, ele ou ela possa expandir sua escrita rumo aos encantamentos do amor e da liberdade, certamente, as letras depositadas em Sophia de Mello Breyner Andresen formariam a palavra “mar”. Uma das mais destacadas poetas da língua portuguesa do século XX, Sophia elevou a poesia ao status de instrumento sinalizador de justiça e verdade. A poesia que brota do sentimento que somente ao mar, reduto de amor e de liberdade, soube sussurrar em seus ouvidos, ainda que seus poemas não pareçam obedecer a nenhum plano. Aos doze anos, a poeta portuense esboçou seus primeiros versos sob a tutela da poesia de Camões e de Antero de Quental.

Sua estreia se dá com o livro Poesia (1944). Nele, Sophia apresenta ao mundo as luzes que iriam guiar sua poética por toda a vida. Nele, já temos o mar. O mar com suas lendas, mitos e encantamentos. O mar cheio de terror. O mar dos deuses. O mar de Atlântida. O mar transformado em canal de encantamento e de riqueza. Portanto, se é do mar que vem o sustento do corpo e do sonho, não é de se admirar que seja também de suas dimensões que brote a poesia de Portugal, país de vocação marítima por excelência e, por conseguinte, acostumado aos sentimentos de solidão e de saudade. No dizer de Michel Mollat du Jourdin, os povos portugueses: “viveram do mar, através do mar e para o mar”. Mas, em Poesia, há também poemas dedicados à mitologia grega e à cidade, reduto avesso à natureza. Sua poesia segue em Dia do Mar (1947), Coral (1950) e Tempo Dividido (1954). E segue abordando temas diversos do mar, mas, sem abandoná-lo: a morte, a busca da união do Ser, o descontentamento com o mundo e com a política de seu país natal. Não há medo de excessos em suas louvações desenfreadas ao mar. Sophia não se afasta da Praia da Granja, seu baú de espelhos, e diz: “A Granja é o sítio do mundo de que eu mais gosto. Há aqui qualquer alimento secreto.”

Mas ainda há o Mar Egeu e as praias do Mediterrâneo. Portanto, ao que parece, é nesse amalgama de mito e maresia que sua poesia habita. Essa atmosfera velada de bruma, nevoeiro e claridade está explícita em poemas como Foi no mar que aprendi, do livro O Búzio de Cós (2004):

 

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos da espuma
Por isso nos museus da Grécia antiga
Olhando estátuas frisos e colunas
Sempre me aclaro mais leve e mais viva
E respiro melhor como na praia.

 

Nota-se como Sophia posiciona as esculturas: elas surgem e desaparecem formando o mesmo movimento das ondas do mar. Suas convicções literárias protegiam-na dos rótulos da moda, a exemplo do poeta Eugénio de Andrade. O amor e a liberdade nascem e atingem a plenitude na imensidão que a natureza carrega. Seja pelo caráter múltiplo de sua formação, seja pela perfeição e pela beleza, provenientes de suas combinações. Sophia deixa-se encantar pela noção de belo da cultura grega antiga. Em seus versos, ela resgata personagens marcantes dessa vertente: Orfeu e Eurydice, Dionísos, Endemyion, Electra, Ariadne, Antínoo, ou as Parcas, somente para citar alguns. No entanto, sua comunicação com as divindades dá-se mesmo com o Deus Cristão. Sua poesia é substantivada, optando pelos concretos, e, assim, atinge uma originalidade lexical.

Porém, a poeta, em muitos momentos, se utiliza de várias figuras como repetições, paralelismos, anáforas e aliterações, tropos como comparações, gradações e metáforas de forte teor expressivo. Nas palavras de Rita de Oliveira, Sophia “reata o elo do mundo dividido ao criar uma outra realidade; ela vive ao ser pronunciada; é descoberta quando os homens estão atentos para o que está a sua volta; materializa-se no texto com obstinado rigor; e é livre até do poeta.” Sophia não é afeita à pontuação. A estrutura vai das elegias ao verso livre. Conforme David Mourão-Ferreira sua produção era “completamente isenta de biografismo, de expressão retórica, de teatralidade, de pitoresco – de toda aquela imediatez interjectiva, tão frequente na poesia feminina.”

A exemplo do poeta pernambucano, João Cabral de Melo Neto, Sophia não se permite praticar o alto-relevo de seu próprio nome. Seu ponto de partida é o Caos. Sua rota é a passagem para o Cosmo, donde se percebe certa influência dantesca de transmutação. A simbologia do rio serve como veículo de ligação do sujeito poético ao mar, morada do Caos. Assim, tanto o mar quanto o rio, representados em suas imagens fixas, estanques, voltam-se para o arquetípico da figura materna, como já ressaltou Carl G. Jung.

Em seus versos, o retorno e o recomeço surgem de formas variadas (recomeçar, renascer, regressar, ressurgir…). Observa-se uma unidade de resgate da moderna teologia, com seu conceito de ressurreição como ato de recriar essa unidade. Mas, ainda assim, não há dúvida de que o sujeito poético, em Sophia de Mello Breyner Andresen, nasce, avança e regressa no espaço marinho e no espaço da sua pessoal adjacência, até admitir que o mar possa ser o reduto final da jornada humana na Terra. Em um dos seus dísticos mais conhecidos, Sophia diz: “Quando eu morrer voltarei para buscar/Os instantes que não vivi junto do mar.”

Nota-se que, o elemento que percorre a linha lírica da poesia, anuncia o desejo de atingir o ponto de plenitude na relação morte/mar. Nesta relação, a poeta não demonstra vontade deliberada de antecipar o ato, tampouco medo. Sua principal preocupação é com a preservação da integridade. Integridade que foi concebida na sabedoria dos gregos da antiguidade. A poesia de Sophia é de louvação ao retorno como forma de alimentar as virtudes do Homem. Observemos o poema “Ítaca”:

 

Quando as luzes da noite se reflectirem imóveis nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os panos pretos da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio
Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília dum segundo nascimento
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto

 

Na poesia de Sophia de Mello, o mar é o viés escolhido pelo sujeito poético para que ele encontre o seu “eu” mais profundo. Ora num processo contínuo, ora como segundo nascimento. Daí se justifica o fato de a poeta ter feito várias referências ao renascimento, onde o mundo grego encontra-se intimamente ligado ao mar, local de ressurreição, tais como a cidade de Delphos.

Assim, o mar é, na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, um elemento-raiz. Daí, ser o ponto de partida e de chegada da vida. Uma espécie de acerto de contas com a natureza, dado o seu caráter cíclico. É através do mar que o sujeito poético mira seu norte e sua própria face diante dos encantos e desencantos do mundo em que vive. Neste percurso, Sophia delineia uma navegação nada uniforme, mas, onírica, imagética, mítica. Onde o sujeito poético encontra-se no afã de se deparar com sua plenitude, liberto e perfeito. Para tanto, a poeta, em certos momentos, se vale da promoção de figuras reconhecidas da história portuguesa das conquistas ultramarinas.

É de se destacar a ambiguidade do caráter maternal do mar na concepção de Gaston Bachelard, de onde se pode concluir que o final da jornada humana, ou seja, o retorno ao mar, pode ser também encarado como um reencontro com o elemento mãe. Ainda assim, não se trata de morte física, mas de um processo de renovação à maneira dantesca, como afirma Helena Langrouva:

“A ideia de viagem que subjaz implícita e explicitamente no âmago das viagens literárias está profundamente ligada às experiências humanas de fuga, … regresso à pátria, ao desejo de procurar o desconhecido e à procura de crescimento espiritual; está também relacionada com os ritos de passagem que exprimem a necessidade de renovação e de regeneração, num tempo e num espaço cíclicos.”

Denota-se que há o medo das profundezas do mar ao mesmo tempo em que é clara a necessidade que o sujeito poético tem de conhecer sua vida inconsciente. Daí, a poeta se faz valer de símbolos metafóricos para o desbravamento desses mistérios, especialmente no mar de Creta, referência primordial da autora de O Cristo Cigano (1961). Do azul da água como símbolo de sabedoria, e da estrela como símbolo de perfeição e do divino (a deusa Afrodite). Sophia cita animais marinhos para consolidar sua simbologia poética. Menciona o golfinho, símbolo de salvação e de alegria, em poemas como “Crepúsculo dos Deuses”, “Em Hydra, Evocando Fernando Pessoa” e “Cíclades”: “Estes são os arquipélagos que derivam ao longo do teu rosto/Estes são os rápidos golfinhos da tua alegria/Que os deuses não te deram nem quiseste.” Nota-se que o sujeito poético não procura exclusivamente a imortalidade, mas também a unidade completa das coisas, o sentido da existência. E a opção por essa busca é, para Sophia de Mello, uma via que só poderá ser seguida através da tranquilidade que o mar proporciona, por geralmente se encontrar longe do tumulto dos grandes centros e, mesmo estando na costa das grandes cidades, o mar representa o espaço de meditação e de distanciamento do caos que a complexidade social cria e recria.

 

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